Curitiba - Viver a vida com seus prazeres. Não ter dinheiro para juntar e, sim, para compartilhá-lo com quem se ama. Viajar. Ficar perto dos amigos. Valorizar o que cada um tem para dizer (e eles sempre têm, independentemente do nível sócio-cultural). Essas e outras diretrizes comportamentais são as mais importantes na vida do curitibano Edílson Buba, 32 anos, empresário que, há duas semanas, foi eliminado da quarta edição do Big Brother Brasil, programa exibido diariamente pela Rede Globo, em que um grupo de pessoas distintas fica confinado durante mais de três meses em busca de um prêmio de R$ 500 mil.
  Outra meta bem importante é a de fazer as coisas boas acontecerem. Foi com essa idéia fixa, de expandir seus negócios para conseguir crescer profissionalmente, que Buba se inscreveu no programa e pôs ‘‘a cara a tapa’’ em rede nacional.
  ‘‘Assisti ao primeiro Big Brother, esse eu não gostava. Mas com o tempo eu vi que era interessante observar a vida das pessoas. Aí o que aconteceu: eu tenho um escritório de consultoria na área de tecnologia, normalmente trabalhamos de terno e gravata, atendendo o governo. Algum tempo atrás, eu e meu sócio abrimos um bar para buscar relacionamentos. É um ambiente onde você tem condições de conhecer muita gente. Muitas oportunidades aparecem e foi por isso que entrei nesse negócio e no Big Brother também. Com a participação no programa as oportunidades aumentaram ainda mais.’’
  Sem ter terminado um curso superior ainda, mas já tendo começado alguns (administração, informática e comércio exterior), Edílson Buba pretende voltar aos estudos ano que vem. ‘‘Falta um ano e meio para eu terminar o curso de administração, quero voltar.’’
  Com um tempo de papo, a pergunta foi inevitável: por que Buba acredita ter sido escolhido para entrar no Big Brother? ‘‘Sou um cara que trabalha de terno e gravata durante o dia, mas que gosta de malhar, surfar, de ir para a noite. O perfil da minha vida agitada e versátil, com certeza, chamou a atenção deles.’’
  E o povo surta lá dentro? ‘‘Surta, sim. Uma coisa que pegou muito para mim foi o ócio. A gente tem até acompanhamento psicológico se quiser. Eu lia, rezava, malhava, nadava, cozinhava, limpava, conversava. Tinha uma série de atividades para passar o tempo.’’
  E o fato de ser bom moço, de ser fiel à namorada, prejudicou na hora do paredão com Juliana, uma mulher liberada? ‘‘Acho que não. Aquilo lá é um jogo. A gente sabe que a opinião pública não fala muito bem da Juliana, mas ela tem continuado. Eu não considero muito isso por que são votações. Cai num paredão de Carnaval, que pode ter me prejudicado. Não sei, 66% não é tão expressivo. Uma votação expressiva é a partir de 70%. No meu caso foi uma votação aceitável. Não houve muita força nem de um lado nem de outro. É isso que a gente percebe. Pelo menos para quem está lá dentro é o que a gente sente.’’
  Um grande obstáculo que quem assiste ao programa vê existir lá dentro é a mistura cultural da casa. Para Buba, a maior barreira não é o fato de o participante ser humilde ou não e, sim, a questão de ambição cultural. ‘‘Determinadas pessoas vêm de uma origem humilde e não têm necessidade ou não querem crescer o nível cultural. Isso separou muito. Principalmente quando a gente começava a falar em experiência de vida, algumas pessoas não tinham muito o que contar ou se colocavam numa posição de inferioridade. Todas as vezes que conversei com eles, eu queria muito capturar a história de cada um. São coisas interessantes. É assim que você começa a entender as pessoas lá dentro.’’
  Crente que cumpriu sua proposta de entrar lá e ‘‘não sair da sua linha’’, Buba quer agora curtir o que vem de carona com o sucesso fugaz que enfrenta. ‘‘O que fica para mim é o reconhecimento que eu estou tendo. É algo absurdo. Muito engrandecedor. O Big Brother faz as pessoas ficarem íntimas de você. Elas te vêem de cueca. Trocando de roupa. Indo dormir. Quando sai fiquei com medo. Foram 43 dias. Não sabia o que ia encontrar aqui fora.’’
  O que Buba encontrou foi uma agitação total na sua vida e na de quem estava a sua espera. Ele e sua ‘‘eterna namorada Dilie’’, como sempre frisou quando estava na casa, estão com a agenda lotada. Desde final de semana em ilhas para fotografar para revistas até propostas para ela posar nua na Playboy. Esta ainda está sendo ‘‘estudada’’.
  E depois que o furacão passar, Edílson Buba pretende continuar o que já fazia antes e noivar com Dilie. Um noivado fora do esperado pela sociedade. As alianças devem ter um desenho diferente, dentro delas nada de datas tradicionais, como o dia em que se conheceram ou qualquer coisa que conduza o relacionamento para um desgaste.
  Buba e Dilie estão juntos há quatro meses. Quando se conheceram eram casados. Separaram de seus antigos parceiros para viver a paixão. ‘‘Parece que nos conhecemos há muitos anos. Temos uma afinidade muito grande’’, conta.
  E o noivado, é para casar? ‘‘Eu tenho uma filosofia de vida: detesto a palavra marido e mulher. Fui casado cinco anos e sei que isso é ruim. É uma imposição colocada pela sociedade como se uma pessoa fosse dona da outra. Por isso, ela vai ser minha eterna namorada. E é assim que a gente se chama. Noivo e esposa são adjetivos que nem eu nem ela merecemos.’’

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