Nenhuma outra política paranaense tem no currículo uma vida pública como a petista Gleisi Hoffmann. Ainda quando jovem, no papel de estudante no Colégio Nossa Senhora Medianeira, em Curitiba, ela deu o pontapé inicial na carreira política, integrando o movimento estudantil por meio do Grêmio Estudantil Edson Luis de Lima Souto. Na sequência participou da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas e Grêmio Estudantil do Cefet, também na capital paranaense.
Num país onde palhaço, ex-BBBs, pagodeiros, popozudas, jogadores de futebol, cantores de mau gosto e mais uma leva de pessoas sem nenhuma formação são eleitas para criarem leis, aprovarem projetos e conduzirem o País, Gleisi é uma exeção. Formada em Direito e especialista em Gestão de Organizações Públicas e Administração Financeira, antes de presidir um dos mais importantes ministérios do Brasil, a curitibana passou por outros importantes cargos.
''Fui secretária de Estado no Mato Grosso do Sul e secretária de Gestão Pública em Londrina. Em 2002, integrei a equipe de transição de governo do presidente Lula. Nesse mesmo ano assumi o cargo de diretora financeira da Itaipu Binacional. Em 2010 fui a primeira mulher eleita para um mandato no Senado pelo Paraná. Enfim, minha experiência profissional está na gestão pública e na vida política'', disse ela em entrevista exclusiva à FOLHA.
Em Brasília, onde a disputa territorial é ainda visivelmente masculina, Gleisi comanda ''a casa'' com seu jeito tranquilo, porém firme e determinado. Mas, afinal, o que exatamente faz uma ministra da Casa Civil?
''Gerencio e auxilio a presidenta na coordenação e condução do governo, monitorando as ações e a preparação, revisão e análise dos atos normativos a serem submetidos ao Congresso e à presidenta. A agenda é voltada para encontros e reuniões de trabalho com ministros e técnicos do governo. Também estão na pauta conduzida pela Casa Civil encaminhamentos sobre licenciamento ambiental, política de postos e ferrovias, modernização de penitenciárias, Rio +20, Comitê-Geral da Copa e articulação para as Olimpíadas'', explicou.
Nas altas esferas do poder, uma das protagonistas do triunvirato feminino de Brasília -onde também se inclui Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais e, claro, a presidente Dilma Rousseff-, Gleisi é capaz, assertiva e tem fama de ser exigente no trabalho. Discreta, não titubeia ao revelar a grande satisfação em conduzir a nação ao lado da presidente Dilma.
''Sempre a admirei como mulher e profissional, umas das mais competentes que conheci. Muitas pessoas acham que ela não teria condições de fazer um bom governo por acreditarem que era apenas uma criação do presidente Lula. Mas já está claro para a população que a presidenta é uma pessoa extremamente capacitada. Firme, determinada e focada, a presidenta nos impõe um desafio diário de trabalhar na busca das melhores práticas para as políticas e ações do nosso País'', descreve ela.
Mesmo em meio a grandes responsabilidades e uma agenda repleta de compromissos, a ministra se desdobra entre trabalho e família. Mãe de João Augusto e Gabriela Sofia, e esposa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, Gleisi é também uma chefe de casa presente.
''Essa é uma questão muito difícil. Acordo cedo e arrumo as crianças para a escola. Procuro participar das atividades escolares e também reservo os domingos para eles. Nessas ocasiões os programas são voltados para a família. Longe do trabalho, gosto de ficar em casa com meus filhos, tomar um vinho com o Paulo, ler e assistir um bom filme''.
Tida como uma mulher elegante e de muito bom gosto, Gleisi confessa ser cuidadosa como qualquer mulher, mas desprendida do assunto moda. No seu guarda-roupa as araras são preenchidas com modelos mais clássicos e, para manter a saúde em dia, é adepta de caminhadas, não sai de casa sem filtro solar, bebe bastante água e é 'militante' do partido dos vegetarianos.

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