Militão Repórter E-mail: [email protected] ‘SEO’ ORLANDO, O CONSELHEIRO Ele jamais ficou em cima do muro! O pioneiro Orlando Mayrink Góes era um homem de posições bem definidas. Expressava sempre sua opinião, doesse a quem doesse Ele era amigo dos seus amigos! E os adversários eram no mínimo respeitados. A não ser que, no seu entendimento, passassem dos limites de alguma maneira. Sempre recebeu a todos que o procuravam em seu escritório. Nunca deixou alguém sem ser atendido. E jamais ficou em cima do muro: dava a sua opinião, agradasse ou não. E isso lhe custou alguns dissabores. Mas muitos o agradeceram pelo conselho, pela opinião dada, muitas vezes em ocasiões delicadíssimas. Ao longo dos anos, foi visitado por amigos, políticos, religiosos, empresários em geral, clientes, dirigentes de creches, autoridades de vários setores, por pessoas interessados em fazer algum negócio, por vendedores, até por mãe de moças que estavam noivas, que desejavam saber sobre o que ele achava dos futuros genros delas. Enfim, durante anos, houve verdadeira ‘Via Sacra’ ao escritório de Orlando Mayrink Góes, na sua agência de automóveis, que os filhos já decidiram manter funcionando, reativada em vários setores e com o entusiasmo deles e dos empregados, em homenagem à memória do pai, falecido, conforme a Folha noticiou, na segunda-feira, vítima de acidente de carro, quando chegava à sua fazenda Santa Cruz, em Quinta do Sol. Carioca, torcedor do Fluminense, do Londrina, campeão de judô quando rapazola, contador, um autodidata em finanças, chegou a ser convidado para fundar Banco em Londrina, para comprar outro aqui ou em Curitiba. Com dinheiro não se brinca, nem com o seu e muito menos com o dos outros, dizia sempre. Horácio Sabino Coimbra e Annibal Siqueira Cabral o quiseram como sócio quando fundaram o Nossobanco, mas ele preferiu apenas apoiá-los e trabalhou, junto ao ministro Delfin Neto e às lideranças paranaenses, pela nomeação do criador da Cia. Cacique de Café Solúvel para a presidência do Instituto Brasileiro do Café, vencendo a luta contra políticos paulistas que queriam outro nome. E com Celso Garcia Cid fretou o avião que levou mais de cem pessoas de Londrina e região à posse de Horácio Sabino Coimbra no Rio. Inclusive alguns jornalistas, que convidou. Entre eles, o então repórter de rádio, que viria a ser prefeito de Londrina: Antonio Belinati, de quem também foi padrinho de casamento. Presidente do Conselho Deliberativo do Country Clube, ele jogava basquetebol com a rapaziada mais jovem, como Alcides Gonini, Julio Roherig, Tucho, Gogô, Mineiro e Ruy Carneiro, que era do Guanabara de Esmeraldo de Souza. Foi numa partida que Mayrink Góes e Ruy Carneiro deram uma trombada. E discutiram. E acabaram ficando amigos. Algum tempo depois, Ruy foi convidado por ele para trabalhar na Cia. de Automóveis Mayrink Góes, onde ficou mais de 20 anos. Acabou padrinho de casamento de Ruy. Deu-lhe uma casa de presente. Por princípio e pela personalidade forte dos dois, discutiram direitos e deveres em certa ocasião. Mas não perderam a admiração recíproca. E voltaram a ser amigos. Quando o professor Ruy Carneiro lançou seu livro de Direito, ‘seo’ Orlando foi à noite de autógrafos e deu-lhe um beijo no rosto. Ruy não conteve as lágrimas ao abraçá-lo efusivamente. O médico e ex-secretário Dalton Paranaguá foi seu amigo do peito. Ganharam a campanha da Prefeitura contra a Arena, fortalecendo o MDB local e abrindo as portas para futuras vitórias como as de José Richa e encorajando Leite Chaves para o Senado. Contando com seus amigos, Mayrink Góes garantiu o pagamento da publicidade da campanha de Dalton para a Prefeitura. Enfrentou a pressão do Governo Estadual, mas não arredou o pé do apoio ao amigo. Sem nada pedir, a não ser que fosse um ótimo Prefeito. ‘O Porto seguro é Paranaguá’, dizia um dos mais famosos slogans de Dalton, ‘o moringa fresca’, como ele era chamado, por não temer os adversários. E daí surgiu o apelido para o ginásio de esportes Moringão, que ele construiu, incentivado de seu amigo Orlando. Mayrink Góes daria um livro, ou dois, como disseram vários amigos, entre eles os jornalistas João Milanez e Stélio Feldman. Foi ele que, quando secretário da Fazenda do Paraná, em 66, agilizou os recursos para pagar a desapropriação da Fazenda Perobal, que pertencia a uma rica família de São Paulo. E foi assim que, antes de Maringá (por pressão do grupo de Gastão Vidigal) Londrina pôde anunciar, em publicação na Folha (primeiro que no Diário Oficial do Estado) que estava criada a Universidade Estadual de Londrina. E foram os secretários Orlando Mayrink Góes e Dalton Paranaguá que pediram ao governador Paulo Pimentel a nomeação do médico Ascêncio Garcia Lopes como primeiro reitor da UEL. O nomeado era outro, um dia antes. ‘Seo’ Orlando pediu ao Governador que anulasse o pedido da Arena e nomeasse Ascêncio, sem filiação política, mas muito qualificado como médico e cidadão londrinense para comandar a instalação da Universidade, que é hoje em dia a primeira do Sul do País, segundo o Ministério da Educação. E, para encerrar, vou lembra o que dizia o também falecido Dinho Gordo, o nosso eterno Rei Momo: ‘‘Tô mal de amigos: tomo café com o dom Geraldo, almoço com o Roberto Vezozzo, meu advogado é o doutor Adyr e sou amigo do Mayrink Góes! Quer mais o quê?’ Arquivo pessoal Ladeando o então governador Paulo Pimentel, em 66, os secretários Dalton Paranaguá, da Saúde, e Orlando Mayrink Góes, da Fazenda. Observem o passo certo dos três. Amigos de muitos anos. Esta foto, ao lado de muitas outras dos anos 60 e 70, está numa sala especial do escritório da Cia. Mayrink Góes Arquivo pessoal Mariinha e Orlando Mayrink Góes foram padrinhos de casamento de Ruy Carneiro e Iracema Cordeiro, uma das mais belas moças de Londrina. Na foto, estão também os padrinhos Diva e Francisco Benite. A daminha é filha de Vilmar Xavier Pereira e o menino é filho de Kazuo Morimitsu Josoé de Carvalho O empresário Orlando Mayrink Góes com um dos filhos, o advogado Carlos Adolfo, em noite de lançamento de livros de professores da UEL, a Universidade que ele ajudou diretamente a criar. Foi ele quem agilizou o dinheiro para desapropriar o terreno onde está a instituição

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