Um pouco de futebol
Domingo é dia de pescaria, de macarronada na família, de ler um pouco e também de futebol. Principalmente de futebol, nas peladas, no estádio da cidade ou na televisão. Os campinhos de várzea acabaram-se e por isso a revelação de craques só nas escolinhas. Ainda recentemente um amigo apontava o quarteirão na Vila Ipiranga (que é logo depois do Hotel Sumatra), onde ficava o campo do Dalva ou do Caxias, o time de Lincoln Taques Araujo, Nivaldo Gotti, Maquininha e etc. Era um timaço. Só para lembrar: Pelé e Garrincha surgiram nos campinhos da várzea de Bauru e Pau Grande, respectivamente.
- O Brasil jogará contra Portugal, no final do mês em Lisboa. Contra Luis Felipe Scolari, seu ex-técnico, que ganhou a Copa do Mundo no Japão. A maior vitória de uma seleção brasileira foi, até hoje, de 14 a 0, contra Nicarágua nos Jogos Panamericanos de 77.
- A Folha estreou nas coberturas internacionais de futebol com Arceno Attas, o 'turco magro' cobrindo a Copa Rocca entre Brasil e Argentina, em Buenos Aires (eram dois jogos lá mesmo) em 1957 e comigo em 59, cobrindo a Taça Oswaldo Cruz, em Assunção, entre Brasil e Paraguai. Do time campeão mundial de 58, só não foi Pelé, que estava com bico-de-papagaio e Orlando, que foi vendido pelo Vasco da Gama ao Boca Juniors, a Argentina. Foram dois jogos também, como Brasil vencendo por 2 a 0 e 1 a 0. Eis o time que jogou: Gilmar, Djalma Santos, Belini, Oreco e Newton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Coutinho, Amarildo e Pepe. No gol do paraguaios, Garcia, que atuava pelo Flamengo. Na zaga, Monin, que também era do rubro-negro. Na reserva brasileira, entre alguns craques, Castilho, Gerson, Mauro, De Sordi e Zagalo.
- E se recordar é viver, vamos recordar o gol de cabeça que Coutinho ( centro avante do Santos ), fez de cabeça contra o Paraguai. Pepe cruzou do escanteio e Coutinho que era meio metro menor do que o zagueiro Monin do Flamengo, soltou e botou lá dentro. Até o generalíssimo Stroessner, todo de terno branco, o presidente da época, ditador paraguaio, aplaudiu. Numa cabeçada a bola viaja a uma velocidade entre 50 e 60 quilômetros por hora.
- E saiba que o apito apareceu no futebol inglês, e portanto nesse esporte mundial, em 1878.
- Eu já vi o time do Palmeiras jogar com camiseta azul. Foi em 54, na decisão do titúlo do 4º Centenário de São Paulo. Um pai-de-santo mandou o presidente trocar a cor do verde para o azul, só para aquela decisão. Não adiantou: o empate de 1 a 1 deu a taça ao alvi-negro. Naquela época, as torcidas eram mais educadas. A do Corinthians levou um charuto gigantesco para o Pacaembu. Eu era um garoto fanático por futebol e fui com minha mãe, dona Zulmira (que Deus a tenha), que prometeu me levar e cumpriu. Acho que os corintianos e palmeirenses de agora não tiveram a sorte de ver seus melhores times em ação. A linha do alvinetgro: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Simão (ou Mário, o driblador). E o ataque alviverde: Liminha, Sarcinelli, Ney (ou Humberto Tozzi), Jair e Rodrigues.
- O hino de time de futebol mais bonito, dizem os músicos, é o do Amércia do Rio de Janeiro, composto por Lamartine Babo, tio de Oswaldo Sargentelli. Aliás, ele fez os hinos do Fluminense, do Vasco, do Botafogo, do Flamengo, do Madureira, do Boinsucesso, do Olaria e do São Cristovão. O do América gravado por Tim Maia ficou espetacular.
- Um hino muito bonito também era o do Fada Futebol Clube, de Santo Anastácio, composto pelo tio da Dulcinéia Novaes, repórter da Rede Paranaense de Televisão. E eu era do outro time da cidade, o XV de Novembro, onde o londrinense Alcides Gonini jogou e foi um centro-médio muito bom.
- E fiquem sabendo: o penâlti é a única infração do futebol que pode ser cobrada depois de esgotado o tempo regulmentar de uma partida.
- O time mais antigo em atividades no mundo do futebol é o Notts Country, da Inglaterra. Fundado em 1862, ele ainda disputa a quarta divisão de seu país.
- E quando o Londrina contratou Gauchinho junto ao Nacional de Rolândia, a Folha noticiou em primeira mão. Eu fui cobrir a trnasação, com o fotógrafo Augusto Galante. Num certo momento o presidente Carlos Franchello virou-se para nós dois e perguntou: levo tambemo Zuza e o Eni? Leva, respondemos. Ele contratou os três. Gauchinho, segundo Franchello, foi o melhor jogador do Londrina em todos os tempos.
- Um outro grande jogo que cobri para a Folha, desta feita no Maracanã: Vasco da Gama, 2x2 Real Madrid, partida promovida pelo jornal vespertino À Noite, do Rio, para festejar o seu relançamento. Isto em ou 59 ou 60. Arceno Attas, ex-Folha, lá estava, além de trabalhar na Rádio Guanabara, onde conheci Sargentelli, sempre acompanhado de belas morenas. O Real já era uma máquina naquele tempo. Domingues, o goleiro argentino, Santamaria, zagueiro uruguaio, e os atacantes Canário (ex-América), Del Sol, Di Stefano, Puskas (melhor dda Hungria, em todos os tempos) e Gento. Depois entrou Didi no lugar de Del Sol. Em 20 minutos, eles fizeram 2 a 0 no Vasco. Depois o calor matou a equipe espanhola. Mesmo assim o jogo terminou empatado.

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