1 ) - Verdade que foi o empresário Harry Prochet o primeiro a montar um veículo motorizado no Brasil? E aqui em Londrina?
R - O empresário Harry Prochet, fundador da Transparaná, montou em Londrina o o primeiro jipe do país. Isso em 1950. Só anos depois, com o presidente JK, é que surgiu a indústria automobilística para o Brasil. Prochet, nome de avenida em Londrina, foi mesmo pioneiro no setor. E aqui nesta cidade! Norte-americano, filho de pais italianos, ele nasceu em Nova York. A família era de uma região norte da Itália, quase divisa com a França. Harry Prochet veio com 18 anos para o Brasil, para trabalhar como office-boy da American Coffeee, compradora de café. Veio para o Rio, onde se casou com dona Zaura e onde nasceu seu filho Norman. Passou a ser gerente da American Coffee em Santos. E vinha comprar café no interior paulista e Norte do Paraná. Chegou à presidência da empresa. Com seu cunhado, engenheiro Saulo do Val Almeida, montou a Transparaná, uma transportadora de café. Que depois passou a ser a empresa importadora de motoniveladoras e jipes em série, que Harry Prochet montava em Londrina. A Transparaná capitaneada por Harry Prochet chegou a ser a segunda maior revenda de jipes Willys do mundo. Só os Estados Unidos vendiam mais desses veículos do que Londrina. Tanto que quando a Willy instalou-se em São Bernardo, já como fábrica, Harry Prochet tinha 12 por cento das ações. Que depois vendeu para a Ford. Ele faleceu em 74, em Londrina.
2 ) - Londrina já teve uma importante escuderia de automobilismo?
R - Já, e coincidentemente sob o comando de Norman Prochet, filho do sr. Harry Prochet, que formou uma equipe com Luis Pereira Bueno, Billy de Clemente (paulistanos) e o italiano Ettore Beppe, que mora até hoje em Londrina, casado com a psicóloga Lidia, ex-secretária de Harry Prochet, e cujos filhos trabalham hoje em dia no Japão. Bueno ganhou a primeira prova na Rodovia do Café. E Ettore Beppe a Londrina Arapongas, ida e volta, com o então garoto Beto Monteiro surpreendendo na segunda colocação, embora tenha, por causa de um ‘toco’ de outro pilôto, se chocado com uma árvore. O Dauphine, que era da família de Norman Prochet, teve que ser guinchado.
3 ) - Quem construiu a Cervejaria Londrina, que depois foi vendida para a Skol e que acabou desativada?
R - Foi o empresário Fausto Rodrigues Tavares, um empreendedor português que morou aqui durante alguns anos. Ele é pai da famosa economista e ex-deputada federal Maria da Conceição Tavares. Ela estudou dois anos no Colégio Londrinense. O jornalista João Milanez o ajudou muito na campanha de venda das ações para que a industria fosse construida. Na verdade, ele vendeu a Maltaria e Cervejaria Londrina para a família Scarpa. Esta negociou a fábrica de cervejas com o Grupo Brascan (Skol), formado por empresários do Canadá, Suíça e de Portugal, que mais tarde vendeu para a Brahma, que fechou a fábrica. E cujas instalações foram vendidas para a Corbel, revendedora Antarctica em Londrina e região.
4 ) - Quando Londrina foi capa da revista O Cruzeiro? Isto aconteceu mesmo?
R - O repórter David Nasser fez aqui reportagem sobre o café e os seus produtores. Foram três páginas, assessorado pelo jornalista João Milanez. No início dos anos 50, Herminio Victorelli tinha sete a oito milhões de pés de café aqui e Jeremias Lunardelli tinha 17 milhões de cafeeiros. Eram o príncipe e o rei do café. Cerca de 50 mil famílias trabalhavam nas fazendas dos dois. Quando o senador Gillette, dos EUA, propôs um boicote ao café brasileiro, as donas de casa de várias cidades de lá vieram aqui ver o café daqui, sua qualidade e preço de exportação e as geadas... Chegaram a chorar de emoção ao ver os grandes cafeeiros queimados em Porecatu. Só que na capa da revista O Cruzeiro, David Nasser meteu a foto do luminoso verde da ‘Casa da Selma’, uma das mais badaladas boates da famosa Vila Mattos, onde hoje está o terminal rodoviário.
5 ) - Londrina teve algum baile de gala para comemorar o seu aniversário?
R - Teve sim, quando festejou o seu Jubileu de Prata. Baile black-tie na sede do Grêmio Recreativo Londrinense, promovido pelo prefeito Antonio Fernandes Sobrinho. E a bonita Branca Garcia, hoje sra. Waldir Martinez, foi eleita a Rainha do Jubileu de Prata de Londrina.

Conversas de 2001

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