Mil e uma utilidades
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Karla Matida<br> Reportagem Local 
Rio de Janeiro O nome é Muti mesmo e ele sempre precisa soletrar para que a letra L atrevida não apareça entre as outras quatro. E não é só porque é um nome diferente. A confusão acontece muitas vezes porque Muti é mesmo um multímidia assumido. E cada vez mais amplia seus horizontes criativos. E tem feito coisas que até ele duvidava que fosse capaz.
É o caso das imagens criadas por ele para a edição outono-inverno do Fashion Rio, que terminou na sexta-feira no Rio de Janeiro. Painéis gigantes espalhados por toda a Marina da Glória, onde aconteceram os desfiles, e também pelos sites e anúncios do evento foram assinadas pelo designer a pedido de Eloysa Simão, idealizadora e diretora do evento. ''Quando falei para ele que o tema seria o artesanato, ele quis ir embora'', contou Eloysa na abertura da semana de moda carioca.
Isso porque quem já viu os trabalhos de Muti - a abertura do programa Superbonita (canal pago GNT) e a Galeria Melissa, em São Paulo - sabe que ele tem os pés no futuro e a cabeça virada para a tecnologia. Curioso, acabou ouvindo o que Eloysa queria dizer e transformou as rendas e crochês numa trama computadorizada.
Não é a primeira vez que esse carioca de 37 anos vê suas criações ligadas a um evento de moda. Em 2005, suas vídeo-instalações cobriram as gigantescas paredes de dois andares do prédio da Bienal, durante uma das edições da São Paulo Fashion Week. Antes disso, ele Muti feito uma incursão pelos cenários das salas de desfile. O primeiro foi da grife de moda praia Água Doce, em 2001. De lá para cá, seu nome passou a ser associado cada vez mais ao mundo fashion, mas é claro que não é só isso.
Muti aparece nos letreiros do filme Irma Vap, por conta de sua participação na equipe de figurino, ao lado de Cao Hamburguer e Marília Britto. Formado em desenho industrial pela PUC-RJ, ele credita sua formação aos estudos em terras cariocas, apesar de ter passado uma temporada em Berlim, na Alemanha.
Filho de uma pianista e um aficionado por arquitetura, Muti conta que sempre teve o incentivo dos pais para as artes. E transformou o apoio familiar em uma bem-sucedida carreira. Tanto que tem recusado alguns trabalhos por falta de tempo. ''E alguns porque vejo que não têm a minha cara'', avisa. ''O que eu mais gosto é quando me pedem para ser eu mesmo'', completa o designer gráfico. ''Mas é difícil eu me definir. Talvez a palavra seja livre'', conta.
A liberdade predomina porque ele não se prende especificamente a uma única função. É designer, cenógrafo, mas também cria clubes noturnos e desenvolve softwares. ''O que eu ainda não fiz e gostaria de fazer? Um parque de diversões. Seria para crianças, planeja''. Mas não faltaria uma montanha russa para os adultos. ''Queria ter mais tempo para frequentar os parques''.
Por enquanto são mesmo aqueles que já deixaram a infância para trás que vão poder aproveitar a criatividade do designer. É que no momento ele finaliza dois projetos de boates, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. E é para uma delas que está criando o software que vai mexer com iluminação e movimento. Coisas que só mesmo vendo para crer.
No Fashion Rio, o lado cenógrafo falou mais alto na concepção das passarelas da Colcci e de Juliana Jabour. ''Coincidentemente, usei acrílico nas duas'', explica. Com o plástico como base, Muti foi parar nas páginas da Frame, revista internacional de arquitetura. Tudo por conta do seu trabalho na Galeria Melissa, em São Paulo. A concepção moderninha do espaço tem rendido muitos elogios ao carioca tanto aqui quanto no exterior.


