Mestre no combate à dor
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domingo, 25 de outubro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local 
A trajetória do londrinense André Marques Mansano, de 35 anos, na medicina é marcada por histórias de família e infância. Foi do contato com o pai de um amigo, médico bastante conhecido em Londrina, que ele decidiu entrar para a área da saúde. Do cuidado com o bem-estar da mãe, nasceu também a vontade de aprofundar os estudos sobre a dor de outras pessoas. Especializou-se na área e, hoje, é um dos dez profissionais brasileiros que detêm o Fellow of Interventional Pain Pratice, certificado promovido pelo Instituto Mundial da Dor. O título é concedido a profissionais com habilidades técnicas de um método intervencionista em dor.
"Quando mais novo, eu ia na casa do Renato Brandina, hoje médico também, com 10, 12 anos. Tive uma convivência grande com o pai dele, o urologista Lauro Brandina, reconhecido nacional e mundialmente pelo seu trabalho. Sempre ouvia histórias de casos de pacientes, a relação dele com os residentes. Criei uma admiração forte pela profissão", relata Mansano. Com o apoio da família, o então jovem cursou medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Fez residência em Clínica Médica ainda na cidade natal e depois seguiu para o interior paulista. Especializou-se em Anestesia em Botucatu e em Dor, desta vez em Campinas.
O interesse pela área da dor surgiu ao ver a mãe dele em busca de tratamento médico para dores constantes. Foram diversas consultas e resultados pouco expressivos. "Ela tinha dores crônicas pelo corpo todo e sofreu com isso por seis meses. Passou em inúmeros médicos, talvez 12 ou 15. Chegou um momento em que ela não conseguia dormir, nem entrar no carro de tanta dor", recorda Mansano. Tocado pela situação, ele começou a estudar o caso da mãe até encontrar o diagnóstico e tratamento adequado para ela. "Hoje, ela está excelente, inclusive joga tênis toda semana. Está muito bem", comemora.
Procurado hoje por pacientes de todas as regiões do Brasil, Mansano explica que a maioria dos casos que atende está relacionada a degenerações do disco da coluna, como hérnias. Também há as situações que envolvem pacientes com câncer. "Pelo menos 70% dos pacientes com câncer têm dor crônica. Em alguns tipos de câncer, mais de 90% têm dor crônica", pontua. Para ele, lidar com este tipo de problema é gratificante enquanto profissional. "Quando tratamos de pacientes com dor crônica, começamos a tratar uma pessoa com muito sofrimento, muitas com dores intratáveis e sem esperança nenhuma. Ajudá-las a retomar a vida normal é algo muito bom. A dor física é uma das principais causas de sofrimento que existem hoje", avalia.
Pai de duas meninas, Mansano é casado com a advogada Carolina Mansano e vive com a família em Campinas. Sempre que pode eles vêm a Londrina visitar familiares e amigos de longa data. "O que eu mais gosto da cidade são as pessoas. É isso que me cativa. As pessoas de Londrina, para mim, são fantásticas", comenta.
CONHECIMENTO
Além do trabalho como médico intervencionista, Mansano coordenada o módulo de Dor da pós-graduação em Anestesiologia do Hospital Israelita Albert Einsten. Este contato com jovens médicos, segundo ele, também lhe traz muitos ganhos profissionais. "Para ensinar um conteúdo, é preciso ter um domínio muito grande. Somos questionados de diversas formas, em vários níveis. Nada melhor para aprender do que ensinar outras pessoas. Na medicina, não podemos parar de estudar", salienta o médico, ao pontuar que, através desta atividade, entra em contato com profissionais de todas as regiões do país, em especial de São Paulo e Nordeste.
Mansano recebeu o certificado do Instituto Mundial da Dor em agosto. A entrega aconteceu no Castelo de Buda, em Budapeste, na Hungria, e marcou a carreira do londrinense. O médico conquistou o título depois de passar por avaliação da entidade baseada em três fases uma teórica, com cem questões; uma prova oral e uma prova prática. Em todo o mundo, apenas 849 médicos detêm este certificado. "A ideia é continuar estudando, sempre melhorar do ponto de vista científico e ocupacional", diz Mansano, que é membro do comitê científico da Sociedade Brasileira dos Médicos Intervencionistas em Dor e membro do comitê de Educação do Instituto Mundial da Dor.


