Criatividade é a marca registrada de Maurício Arruda. O arquiteto e designer londrinense, de 40 anos, é atualmente referência quando se fala em arquitetura e design contemporâneo graças às suas obras inusitadas, mas cheias de significado, cores e preocupação ambiental e social. Longe de Londrina há 17 anos, desde que se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Arruda garante que as lembranças da cidade natal influenciam até hoje seu trabalho. "São muitas memórias: entrar na cidade e sentir o cheiro de café torrado da Cacique, ver os ipês brancos da UEL florescer, correr no Zerão bem cedinho com o ‘foggy’ do lago...", relembra ele, que mora em São Paulo.
Mesmo sempre gostando de desenhar, Arruda conta que optou inicialmente pelo curso de Administração, mas logo migrou para a área de arquitetura. "Não tinha maturidade aos 17 anos para escolher o que queria fazer da vida. Um dia, um professor de Administração olhou para mim e disse: ‘você é um ótimo aluno, mas está no curso errado’. Depois disso nunca mais voltei. No ano seguinte comecei Arquitetura e Urbanismo."
A aptidão de Arruda para a arquitetura era tanta que o trabalho de conclusão de curso lhe rendeu um convite para um mestrado em sustentabilidade na Universidade de São Paulo (USP). "Meu trabalho foi sobre habitação social em madeira de reflorestamento construído por processo de mutirão. Ele foi publicado no mesmo ano em uma revista de arquitetura e despertou o interesse de uma professora da USP, que me ligou convidando para orientar meu mestrado na área de construções sustentáveis", conta. De acordo com o arquiteto, esse foi o primeiro contato com o tema sustentabilidade, que nunca mais foi deixado de lado.
Com o objetivo de fazer peças acessíveis e de qualidade, Arruda costuma reaproveitar objetos em suas obras. Característica que já lhe rendeu o título de "caçambeiro". "Sou extremamente interessado em observar, e às vezes, coletar das caçambas, aquilo que as pessoas descartam. Reutilizar coisas é um exercício que exige prática. Eu aprendi a olhar o que as pessoas costumam chamar de lixo como resíduos sólidos", diz. Para ele, tudo pode se transformar em objetos novos desde que não seja visto como lixo. "Trabalhar com design sustentável exige paciência, tempo e muita criatividade. Não estou falando de artesanato. Meu grande objetivo é fazer design industrial sustentável brasileiro acessível."
As obras de Arruda são conhecidas por sua "brasilidade", fator que, segundo ele, está totalmente ligado ao conceito de sustentabilidade. "Nosso país é colorido, informal, urbano, temos uma capacidade brilhante de improvisar e resolver problemas com humor e jogo de cintura. Para mim, isso é brasilidade contemporânea", explica. "Quando comecei a fazer arquitetura essa foi uma maneira que encontrei de falar de sustentabilidade sem tentar mudar a vida das pessoas. Percebi que resgatando valores da nossa cultura e trabalhando com reuso de materiais, poderia fazer projetos que falassem de sustentabilidade indiretamente", contextualiza.
O humor também está presente nas peças do designer, que conta não ter medo de errar. "As criações têm sempre um toque de humor. Hoje em dia eu penso: ‘tá esquisito? Ótimo, vai bombar!’ As pessoas querem experiências novas e é nisso que estou focado."
Aplaudido pelos críticos atualmente, Arruda conta que nem sempre seu trabalho foi visto com bons olhos. "Nos meus projetos de interiores sempre existirá algum móvel antigo, algo que tenha história. Não gosto de projetos de interiores com cara de loja, onde tudo é novo. Há dez anos quando comecei a fazer isso as revistas viravam o nariz", relembra.
Mesmo com vários anos de carreira, o arquiteto londrinense classifica o momento atual como o mais desafiador. Ele se prepara para unir forças com o amigo e também arquiteto, Guto Requena, em um novo escritório, o TODOS Arquitetura, que focará principalmente na arquitetura corporativa, lojas, incorporação, hotelaria e cenografia. A mudança também vai acarretar na emancipação da área de designer.
Após 10 anos como professor universitário de design, Maurício Arruda agora se dedica a palestras sobre design brasileiro sustentável e diz esperar por um convite londrinense. "Espero que a UEL me convide um dia para uma semana de arquitetura ou algo parecido. Seria emocionante."

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