Desenhar projetos com toque brasileiro, internacional, artesanal e tecnológico. Eis o métier desse jovem paranaense nascido em Cianorte e que adotou Londrina como sua cidade de coração.
Guilherme Torres, o arquiteto das contradições, transita pelo universo da arquitetura e do design com características que permeiam espaço, luz e paisagem. Aspectos esses que o colocaram entre os profissionais de sua área mais requisitados em todo País.
Definindo-se como detalhista, perfeccionista e, acima de tudo, curioso, Torres é múltiplo. Como arquiteto viu nesses 14 anos de atuação seus projetos ganharem as melhores revistas nacionais especializadas no assunto, além da imprensa internacional, a quem ele credita ser a grande responsável pela ampla divulgação de seu trabalho. Em meia década de atuação como designer, ainda fica surpreso com a receptividade de suas criações.
''Sou um designer acidental. As primeiras peças que criei fiz completamente motivado pelo simples tesão de criar, e se tornou um business instantaneamente. Cinco anos depois de ter iniciado nesse ramo, encontro móveis meus em todas as revistas que compro. Tracei um plano de vida para mim desde cedo e o amor à arquitetura sempre me fez querer projetar espaços como os que eu admirava. Avaliei meus recursos e decidi explorar materiais locais. Procurei fugir do modismo e me concentrar em encontrar meu próprio caminho. Confesso que insisti muito nos meu ideais, mas sempre fui fiel aos meus princípios'', conta ele.
Com projetos em 18 cidades e em breve em alguns países da Ásia, só neste ano Guilherme viu seu trabalho figurar em mais de 10 livros e 30 revistas internacionais. Seu site tem, mensalmente, uma média de 20 mil acessos. Os êxitos, segundo ele, são frutos de muito estudo, esforço e dedicação de sua equipe.
''Reproduzo e revisito constantemente minhas memórias de infância e adolescência. Nunca pesquiso em livros de arquitetura ou sites. Prefiro manter meus olhos atentos num cinema, em livros de arte e, principalmente, em viagens''.
Entusiasta de nomes como Oscar Niemeyer e Paulo Mendes Rocha, e dos critérios de Pritzker (prêmio tido como o Nobel da arquitetura), Guilherme é enfático ao dizer que o brasileiro ainda não tem tradição em valorizar uma boa arquitetura e acredita que um projeto sublime nasce de um mix entre cliente ideal, local ideal, equipe ideal e prazo ideal. Já no quesito relação arquiteto e cliente, ele responde: ''Clientes são nossos mecenas, arquitetos têm muitas ideias e as extravazam por meio das aspirações dos clientes. Tenho alguns muito especiais que se tranformaram em amigos''.
O ímpeto de criar finos e modernos espaços além de fazer com que Torres se tornasse conhecido e requisitado nacionalmente, consequentemente fez com que ele transferisse residência para São Paulo. Na capital paulista caiu no gosto da elite e passou a assinar projetos exclusivos.
O último deles acabou de ser desmontado. Tratava-se da Mostra Black, uma exposição de arquitetura voltada ao público AA. Uma das próximas criações a ser inaugurada é um edifício com DNA totalmente regional fixado em território paranaense. O preferido é um móvel que está saindo do forno e que ele prefere não dar detalhes. ''Mas como sempre digo, meu trabalho preferido é sempre o último'', fala.
Por questão de negócios Guilherme continua com uma base de apoio em Londrina, cidade onde ele se formou, fez amigos, concretizou - e ainda concretiza - muitos projetos. ''Me mudei para Londrina para fazer faculdade. Logo depois de formado tive minha primeira oportunidade de trabalho e acabei ficando. A cidade foi muito generosa e me acolheu, tanto que me considero londrinense''.
Indagado sobre qual a maior beleza e o que menos lhe agrada por aqui, Torres discorre com propriedade e sem titubear. ''O Igapó I é muito legal, mas pouco explorado. Há muito o que melhorar na cidade e, por isso mesmo, colocaria o Lago Igapó como área mais malcuidada. As pessoas se espremem para andar na calçada que é muito estreita, a iluminação é precária, não há equipamentos de lazer, afinal aquela meia dúzia de aparelhos de ginástica não conta! As pessoas vão caminhar na beira do lago e não encontram lugar para estacionar o carro, não existe uma ciclovia e o que a prefeitura fez para solucionar isso? Encheu a via pública de tartarugas de concreto para 'ampliar' a calçada. É o cúmulo do improviso e vai contra qualquer tentativa de bom-senso. Infelizmente a cidade carece de auto-estima''.
Vaidoso assumido, é recebendo os amigos em sua residência que ele consegue se desligar do trabalho. Quanto aos projetos futuros, a pretensão é viver em uma constante renovação. ''É da minha natureza a renovação. Um processo inconsciente. E quer saber? Quando tudo me entedia, vou dar uma volta com meu cachorro e pronto, as ideias brotam. Já quanto ao meu futuro, além dos projetos como arquiteto, atualmente estou trabalhando em novas linhas, pretendo criar móveis mais acessíveis. Design tem de ser democrático'', conclui.

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