Curitiba - Quando criança, Juarês Matter costumava adormecer olhando os quadros do avô, o pintor impressionista Guilherme Matter. As telas, quase todas retratando detalhes da natureza paranaense - como as araucárias - transportavam o garoto para um mundo particular. Tempos depois, mais do que mergulhar nesse universo, ele decidiu ir além da pintura. Aos 19 anos, o caçula de três irmãos, resolveu dedicar-se integralmente à arte e logo optou por uma técnica diferente. ''Eu materializo o abstrato. Recorto as pinceladas para fazer uma nova obra'', revela.
Mas até que a pintura tomasse dimensão profissional na vida do artista, ele se dedicou a um outro tipo de movimento: as andanças com o skate. Matter, que já foi Campeão Paranaense de Skate, começou a dedicar-se ao esporte aos 11 anos. Menos de uma década depois, após acumular competições e viagens, percebeu que o seu gosto pelo desenho e pintura, influência do avô, poderia render mais do que uma distração. Sem deixar o skate de lado - ele só abandonaria profissionalmente o esporte aos 26 anos - matriculou-se no Instituto de Desenho do Paraná e fez um curso integral por três anos, que incluia também técnicas publicitárias.
Chegou a trabalhar na extinta agência Umuarama, com feras como Paulo Leminski, Alice Ruiz, Solda e Rettamozo. ''Eu era o mascote da turma'', conta. Foi a partir da publicidade que ele migrou para a arte. Começou a pintar retratos e a fazer suas primeiras exposições. No início dos anos 2000, seus trabalhos começaram a ser reconhecidos. Em 2003, ele ganhou medalha de prata no Salon International du Monde de la Culture et des Arts, e uma obra sua foi adquirida para o acervo da Prefeitura de Cannes, na França.
No ano seguinte recebeu medalha de bronze pelo conjunto de sua obra na Arts-Sciences - Lettres/Société Académique D'Education Et D'Encouragement, em Paris. Foi a partir dessa época também que Matter consolidou parcerias com arquitetos de projeção nacional. Atualmente, por exemplo, obras suas integram espaços da Mostra Artefacto Banco Real, em cartaz em Curitiba.
Há dois anos, ele se dedica a uma técnica em especial: recorta as pinceladas abstratas em peças de MDF para recriar uma outra obra. O resultado são peças únicas que ganham identidadae por meio das mãos do artista. ''Eu vejo a arte como uma expressão da vida. Eu gosto de ver a arte saindo de mim. Gosto de trabalhar com o inesperado'', acrescenta. O trabalho depende de uma rotina criada por ele. Diariamente ele segue até o seu ateliê, próximo ao Parque Barigui, e dedica horas ao ofício. ''Preciso de disciplina'', conta.
A disciplina também vem em forma de planos para o futuro. Matter está trabalhando numa série que vai integrar uma exposição no Mube - Museu Brasileiro de Escultura. Intitulado Movimento Escrito, o trabalho é resultado das últimas pesquisas do artista, de pinceladas e recortes. Matter também já está fazendo contatos para expor, no ano que vem, em Nova York. O próximo passo, ele adianta, é passar uma temporada fora de Curitiba. ''Estou no processo de adquirir a cidadania alemã. Quando conseguir, quero passar algum tempo fora para que minha arte tenha alcance maior.'' Assim seja.

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