"Percebemos que Londrina tem um potencial muito grande para se reinventar e ascender", diz Marcos Rambalducci
"Percebemos que Londrina tem um potencial muito grande para se reinventar e ascender", diz Marcos Rambalducci | Foto: Gustavo Carneiro

Entre as competências de um economista está a de prestar consultoria e a de educar pessoas e empresas a ter controle sobre a vida financeira. Não raro, a moderação, o autocontrole, o comedimento, a contenção, o equilíbrio, a limitação e a restrição são difundidas pelos experts, entre as orientações a quem busca saúde nas finanças.

No caso do economista e professor da UTFPR (Universidade Federal Tecnológica do Paraná), Marcos Rambalducci, de modo personalizado, de fato há situações em que a regra é fazer contenção. E cada caso, é um caso. Já para discorrer sobre Rambalducci, conter adjetivos é tarefa árdua, tão grande sua solicitude e suas conquistas.

Natural de São João do Caiuá, Noroeste do Paraná, Marcos Jeronimo Goroski Rambalducci, 57 anos, é filho de uruguaios e o mais velho de três irmãos. Embora sempre incentivado a estudar, começou a trabalhar cedo e, com sabedoria, soube dividir seu tempo entre as duas tarefas. Casou-se aos 18 anos com Ana Rambalducci e somam 38 anos de matrimônio.

Com apoio da família, Rambalducci construiu um currículo admirável, sem que tenha perdido a humildade, o foco e o encantamento perante o novo. Alunos, leitores, clientes e jornalistas que o têm como fonte segura de informações fazem coro para falar sobre seu otimismo, credibilidade e capacidade de dividir conhecimento. De sua sabedoria e prática, vem a crença de que acender a luz do próximo não apaga a sua. Conheça um pouco mais do pai, professor, amigo e madrugador, Marcos Rambalducci.

A psicologia, a sociedade e o consumo

Doutor em administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rambalducci é pós-doutor pela Universidade de Lisboa - Ciências Sociais Aplicadas. Graduado em ciências econômicas pela Universidade Estadual de Londrina e em administração de empresas pela Faculdade Pitágoras de Londrina, é mestre em administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Também concluiu especialização em economia empresarial e MBA em gestão de instituições educacionais.

Rambalducci é professor na UTFPR desde 2013, onde dá aulas para todos os estudantes de engenharia. Líder de Grupo de Pesquisa em Gestão e Análise Econômico Financeira e colíder do Grupo de Pesquisas Edupep ( Educação em Perspectiva na Engenharia de Produção), é coautor do livro 'O Sujeito Empreendedor: por uma compreensão una e múltipla'. Foi diretor geral da Faculdade Pitágoras de Londrina entre 2009 e 2013. Atualmente, seus interesses de pesquisa estão voltados à valoração econômica de recursos ambientais.

Colunista do Grupo Folha de Comunicação, assina “A Economia Nossa de Cada Dia”, na qual aborda situações cotidianas e estudos que dizem muito sobre nossa cultura perante o dinheiro. De como começar a fazer o pé-de-meia a como proteger o patrimônio, poupar para a aposentadoria, Rambalducci domina. Em dia com a evolução do endividamento e inadimplência da família londrinense, o número de desempregados, assim como o valor da cesta básica, o estudioso tem assuntos para horas e seus alunos são também para ele fontes de saber. “Adoro o ambiente da sala de aula. É uma dinâmica com conhecimento prático e vivência de mercado. Procuro sempre falar da teoria econômica com o momento que o País vive”, explica.

O professor reforça o quanto a economia está presente no dia a dia de todas as pessoas. “Está na nossa rotina. Estamos falando de economia o tempo todo. Se pensamos em ir ao teatro ou não, as decisões são pautadas dentro da nossa renda. O consumo está ligado ao comportamento. Temos recursos escassos e desejos infinitos. O dinheiro não dá para tudo e é preciso fazer escolhas”. Para se chegar a esse entendimento, Rambalducci investiu. “Tive que estudar um pouco de psicologia”, resume. O comportamento do cidadão é foco em nossos estudos e sabemos que nem sempre uma campanha de vendas encontra o seu melhor momento. “Quem está endividado, não deve comprar. Durante a crise, o ticket médio cai e sabemos que temos 10 mil cidadãos na informalidade, o que automaticamente representa a incapacidade de comprovar renda”, cita.

Origens, percalços e perspectivas

Entre décadas de dedicação aos estudos, um ano e meio viveu em Lisboa, Portugal, onde realizou o pós-doutorado. E sua primeira formação o enaltece. “Eu me formei como eletricista, aos 18 já era técnico eletrônico”. Trabalhou no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) de Londrina e no Ipolon (Instituto Politécnico de Londrina). Entre referências que o marcaram, cita o economista Ismael Mologni pela facilidade de acesso. “Talvez eu tenha ocupado esse espaço vazio, talvez porque podem contar comigo. Sou acessível, mesmo. Sou uma pessoa solícita, gosto de conversar e sei que há muitos economistas competentes nas universidades."

Rambalducci dá nome a turmas, é convidado a ser paraninfo, orientador de estágios e de trabalhos de conclusão de cursos. Teve dois filhos, Marcos, um rapaz de 32 anos que atua na área de administração e também é formado em processamento de dados. E Priscila, que faleceu três anos atrás, em um acidente de carro junto com o marido e esse acontecimento tão impactante, não tornou o professor áspero. “É uma superação diária. Sou muito revoltado até hoje com a perda da minha filha, mas isso não afeta os outros. Eu gosto de gente e quem gosta de gente acaba entendendo. A superação talvez não exista, mas essa revolta pessoal contra uma situação que a gente não tem condições de trabalhar não afeta o meu jeito de ver o mundo. Continua muito parecido. Pelo contrário, talvez eu tenha me tornado até mais acessível depois, porque o pouco de coisas boas que eu tenho Priscila pegou todas. Ela era o melhor que eu tinha. Ela deixou esse mundo aqui, então eu tive que assumir aquelas partes que eram boas dela. Talvez isso tenha me servido de estímulo, me amolecido mais em todos esses aspectos, em entender a fragilidade do ser humano e a necessidade que a gente tem de ser o mais disponível para os outros. A vida é fluida demais para a gente ficar guardando rancor das outras pessoas e quanto mais você se entregar, mais feliz você é”, confessa, em um depoimento tão resiliente quanto espiritualizado.

Reinvenção não é mágica, é iniciativa

Leitor disciplinado, acorda às 4h30 para se abastecer das primeiras notícias do dia. Sua primeira fonte é a Folha de Londrina. Na sequência, faz atividade física. “Mais troto do que corro”, brinca. Em casa, lê outras duas publicações obrigatórias: o impresso Valor Econômico e o virtual Nexo. “Dou aulas à tarde e à noite e em casa tenho os cantinhos para ler. Em sua poltrona favorita, as obras de ficção científica são fontes de entretenimento. “Fundação”, Isaac Asimov, é um exemplo. “Duna”, de Frank Herbert, outro. E diverte-se com outros gêneros “Os Capitães e os Reis”, de Taylor Caldwell e cita o clássico “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley. Em volta do leitor, Jelly, Pipoca e Badu, uma poodle, uma yorkshire e uma maltês se aninham. Mais que bichos de estimação, as três cachorras são companhia de toda a família e deixam a espaçosa casa mais aconchegante e movimentada.

Entre as palavras de ordem, Rambalducci destaca a reinvenção. “Toda a sociedade organizada – Sindimetal Norte PR (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas Mecânicas e Materiais Elétricos do Norte do Paraná), Acil ( Associação Comercial e Industrial de Londrina) e Sindicato dos Empregados do Comércio de Londrina vamos avançar nesse sentido e mudar de patamar." E destaca: “A tecnologia da informação, a comunicação, a indústria eletrometalmecânica, o agronegócio e a indústria de alimentos são setores que nos motivam e enchem de otimismo. Londrina continua crescendo e ficando bonita – mesmo na crise, que tem sua origem no governo federal, Londrina continua fazendo o dever de casa”, reflete.

O estudioso considera que as universidades, o poder público e a sociedade, formam, de modo alinhado, um ecossistema com gente competente, com formação e vertentes para sobrepujar a economia do município. “Atrair empresas com interesse do uso de conhecimento é um trabalho ávido e construímos governanças comprometidas e com potencial muito grande”. E valoriza: “Tectrol Automação - Soluções em Automação Industrial; Furgões Ibiporã, Novartis, Apetit Serviços de Alimentação”, a Athos, a Tata Consultancy precisam de nossos engenheiros”.

Em meio ao avanço tecnológico, Rambalducci considera que a competitividade das empresas irá aumentar e todos os profissionais deverão estar atentos às mudanças. Assim, ao mesmo tempo em que há grandes redes de supermercados, as pessoas mais velhas continuam dando a preferência para o mercado próximo e que dá a elas o atendimento de que precisam, mais personalizado. "É uma falácia falar que máquina vai substituir as pessoas." E acrescenta: "A UTFPR e Embrapa, mesmo com poucos recursos, estão somando esforços para superar crises e fomentar parcerias".

icon-aspas “O consumo está ligado ao comportamento. Temos recursos escassos e desejos infinitos”

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