Não há nada de novo nos reinos da TNG, Vide Bula, Gappy e Mixed. No terceiro dia de desfile do IV Crystal Fashion, o que se viu foi moda comercial em quase todas as apresentações. Exceto pela ‘‘mineiridade’’ da Vide Bula, a noite não teve surpresas nem demonstrações de genialidade.
Com pouco mais de 30 minutos de atraso, a TNG iniciou sua segunda participação no evento. A proposta da produção de trazer o glamour dos anos 30 e 40 até a agressividade dos 80 não aconteceu. O que se viu foi a roupa masculina bem mais interessante do que a feminina. Modinha. Os rapazes vestiram calças largas, mochilas nas costas e tênis com sola de goma bem usáveis e modernos. Quando viram executivos são mais corretos, as calças um pouco mais curtas dão um certo toque Século 21. Fora isso, é mais do mesmo.
Quando entra na passarela como o segundo desfile da noite, a Vide Bula arrasa. É uma escoteira fashion em ação, uma garota que sai à noite, não quer saber de preconceitos, é amiga de toda a turma que tem atitude e não quer nem saber de baile de debutantes. É a antítese da patricinha. Tudo funciona na grife de Giácomo Lombardi. ‘‘Busco os referenciais da grife na rua. Olho uma pessoa no meio da rua e é para ela que crio. Queremos afirmar a liberdade’’, disse ele minutos antes do desfile. Esta liberdade está nos jeans com correntes, nas botas e sapatos com estampas xadrez e nos coturnos da era punk anos 80. Mesmo fazendo o que todo mundo está (voltando aos 80), Lombardi conseguiu passar uma certa magia na atitude de suas roupas. As jaquetas cheias de bottons enchem de atitude a modelo que usa cabelos com alusão à geração que assombrou Londres quando surgiu. Só que agora quem usa esta roupa é uma turminha mais consumista que não chegou ao estilo por acaso. É mais requintada e escolheu vestir-se com Vide Bula por vocação. Imperdíveis também os militares, num camuflado colorido onde o laranja avivou a estamparia, e os skatistas com suas camisetas cheias de recados. Ah, esqueci das estampas jogos da sorte. O curinga e os naipes do rei deixam a garotada alvo da grife ainda mais moderna e com cara de futuro.
Fim do desfile maravilhoso, entra em cena a insossa Gappy. Roupas que não trouxeram uma informação nova à platéia, pelo contrário, trouxeram sim visuais totalmente deletados pelas tendências internacionais. Leopardos já não se usam mais e produzir um desfile com estampas ultrapassadas e com visual terninho é perda de tempo. A sorte da loja é que eles têm a Vide Bula.
O último desfile da noite trouxe pela primeira vez ao evento a paulista Mixed. São roupas para as patricinhas. Com um certo ar de starlet, a mulher da grife não fala muito e quer exalar seu poder. E o faz quando usa a calça de paetês exibida pela modelo Fernanda Lima que, apesar de ser mais simpática na televisão do que ao vivo, traduz fielmente a imagem da consumidora Mixed.

mockup