MAGDA CARVALHO - COSTA OESTE
Quando a carnavalesca Cidinha Schmitt surge na avenida, não é a profusão de plumas, nem o brilho das lantejoulas que chamam a atenção. Quem se acostumou a acompanhar a performance da carnavalesca no carnaval de rua de Cascavel, reconhece nela a verdadeira magia da festa mais popular do País. O segredo talvez esteja em ostentar uma alegria que se perdeu em meio a corpos torneados e siliconados das musas que pipocam a cada carnaval. Cidinha está entre o seleto grupo de personagens que consegue personificar bem esse espírito e sobrevive após a quarta-feira de cinzas.
Toda essa aura vem da paixão que a carnavalesca tem pela folia de Momo. Uma paixão que começou na infância e sobrevive até hoje, sem perder o fôlego. Cidinha está com 49 anos e exibe corpo e espírito de uma adolescente. Nem durante as minhas duas gestações eu fiquei em casa; brincava todas as noites, diz.
Há 10 anos ela marca presença no carnaval de rua de Cascavel, e é figura indispensável não só na avenida como nos clubes. A cada ano surge com uma nova surpresa. As fantasias são criações suas. Resultado de incontáveis fontes de inspiração, dificilmente cada obra repete a mesma idéia. Está aí mais um de seus atributos: a originalidade. Cidinha esbanja criatividade não só nas fantasias que compõe para desfilar.
Hoje ela recebe pedidos de várias cidade da região Oeste e até de São Paulo e veste as madrinhas de bateria dos blocos que fazem a folia, em Cascavel, além dos destaques. Num ritmo quase incansável chega a dormir só três por dia nos dois meses que antecedem o carnaval ela se ocupa em criar e montar suas fantasias e as encomendas que recebe. Nunca interrompo minha inspiração, prefiro seguir adiante a parar no meio do caminho, afirma.
Só os costeiros chegam a pesar entre 40 e 60 quilos, as botas 1,5 quilo cada uma, indumentárias que ela leva para os desfiles e ostenta com vigor inabalável.
O apartamento em que ela mora com o marido também sofre uma transformação. Do quarto, passando pela sala ao banheiro da empregada, além de armários e cômodas, há um arsenal de lantejoulas, pluma e paetês. A família não reclama. O marido, empresário Paulo de Tarso Schmitt, está acostumado a acompanhar a maratona da esposa. Os filhos Marcelo e Michelli, que cresceram vendo a mãe transformar o apartamento onde moravam num verdadeiro barracão de escola de samba, não só aceitavam a idéia como também, durante muito tempo, entraram no mesmo ritmo. E se engana quem acha que a disposição que ela emprega antes do carnaval tira um pouco do ânimo quando a folia de Momo chega. O segredo para exibir vitalidade e alegria na avenida e nos salões está no espírito e não no corpo. A vida é pra ser vivida, nós estamos aqui de passagem e essa é a minha realização pessoal, ensina.
Como toda boa carnavalesca, Cidinha tem saudade dos carnavais de outrora, principalmente os das décadas de 70 e 80, quando a marchinha ainda ecoava pelos salões. Crítica, ela acha que as festas hoje perderam parte de sua magia. A nova geração não consegue enxergar o que é o verdadeiro carnaval. A gente pulava se respeitando, hoje é muita loucura, analisa.
A visão que ela tem da vida é sua fonte de juventude. Nunca fico doente, não tenho nem dor de cabeça.
O espírito ela cuida com doses maciças de bom humor; o corpo, com uma hora de esteira por dia. Este ano Cascavel não terá carnaval de rua. A notícia foi um balde de água fria no pré-aquecimento da foliã. Mesmo, assim a frustração não tomou o lugar da animação. A alegria ela vai continuar exibindo onde quer que vá. É sua lição de vida para a nova geração de foliões. Não importa o lugar, desde que esse espírito a acompanhe onde quer que vá.





