Mães virtuais, mães reais
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de maio de 2005
Flávia Swerts<br> TV Press 
Ser filho é padecer no paraíso. Principalmente quando a mãe usa aquele jeitinho todo especial para colocar os filhos em situações para lá de embaraçosas. Exemplos não faltam na vida e na teledramaturgia. Das superprotetoras e possessivas, como a Diva, de América, às extrovertidas e espalhafatosas, como a Geórgia, de A Lua Me Disse, todas sabem muito bem como fazer os filhos pagarem micos. Apesar das diferenças entre si e dos variados tipos de constrangimento que geram, elas têm, pelo menos, algo em comum: garantem que só querem o melhor para os rebentos.
Diva, interpretada por Neuza Borges, que o diga. Ciumenta e protetora ao extremo, inferniza a vida do filho Feitosa, de Aílton Graça, por achar que a sua namorada, a espevitada Islene, de Paula Burlamaqui, não é a mulher ideal. Não mede esforços para separá-los e uma das suas principais armas é fingir que está doente sempre que os dois marcam de se encontrar. Todas as atitudes dela colocam ele em saia justa, admite Neuza.
Assim como Diva, Neuza Borges também é mestra em constranger suas filhas. Ondina, a filha mais nova, já avisou que não lhe apresenta mais nenhum namorado. Ela diz que eu coloco todos eles para correr, revela, aos risos. Aílton, por sua vez, acredita que as atitudes desmedidas de Diva são fruto não só de ciúmes, mas também da própria postura de Feitosa. Ele confia muito nas pessoas e não consegue perceber as chantagens emocionais da mãe. Ele tinha de mostrar para ela que já cresceu, opina o ator.
Existem atrizes, no entanto, que fazem mães quase perfeitas na ficção, mas já deixaram seus próprios filhos em situações embaraçosas. É o caso de Marieta Severo, que interpreta Nenê, a mãe amorosa do seriado A Grande Família. No final dos anos 70, quando estava em cartaz no Rio de Janeiro com a peça A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, ia buscar suas filhas Sílvia, Helena e Luísa no colégio com bobs no cabelo e um lenço laranja na cabeça para já chegar no teatro, à noite, com o cabelo enrolado. Elas morriam de vergonha, admite Marieta, aos risos.
Quem também deixou o filho muito sem graça foi Pepita Rodrigues, a dedicada mãe de A Lua me Disse. No aniversário de 22 anos do filho Paulo Fernando, chamou a atual namorada do rapaz, Maria Clara, de Fernanda, nome da ex-namorada dele. Fiquei tentando contornar a situação, mas ele virou para mim, roxo de vergonha, e disse: Mãe, não tenta consertar que fica pior!, diverte-se a atriz.
Na mesma novela existe outro tipo de mãe que faz os filhos pagarem mico a todo o momento. Geórgia, vivida por Patricya Travassos, faz uma mãe que só pensa em se divertir. Toda vez que sai, Geórgia bebe e fala em excesso, deixando os filhos Sílvia, de Guilhermina Guinle, e Pedro, de Rafael Paiva, com vontade de se esconderem debaixo da mesa. A Geórgia é muito over. A Sílvia e o Pedro estão cansados dessa mãe que nunca muda e sempre os constrange, revela Guilhermina. Mas Sílvia e Pedro, com certeza, não são os únicos filhos que têm vontade de virar para a mãe e falar: Menos, mãe, menos.... Quando era adolescente, Guta Stresser, a Bebel de A Grande Família, sempre repetia esse quase bordão para sua mãe. Isso porque quando Guta levava as amigas para a sua casa a mãe tinha a mania de ficar puxando papo com as meninas sobre assuntos pessoais, como namorados e sexo. Eu ficava morrendo de vergonha.
Na relação entre mães e filhos, no entanto, não há só constrangimentos leves e, muitas vezes, até engraçados. Existem mães que pegam pesado com os filhos e, além de deixá-los sem graça, chegam a desrespeitá-los. É o caso da inescrupulosa e interesseira Malva, vivida por Suzy Rêgo, em Floribella. Mãe de duas filhas, Delfina, de Maria Carolina Ribeiro, e Sofia, de Drica Rabello, ela tem uma clara preferência por Delfina, que é tão má e fútil quanto ela. Já Sofia é totalmente desprezada. A Malva hostiliza a Sofia e chega a chamá-la de mula, inútil e acéfala, enumera Suzy.
Apesar da capacidade de constranger os filhos ser quase um dom das mães, algumas bem que conseguem se controlar e não cometer gafes. Elas tentam não se intrometer na vida dos filhos mesmo que não concordem com as atitudes deles. Um bom exemplo desse tipo de mãe é a Maria José, de América, interpretada por Nívea Maria. Mãe do peão Tião, de Murilo Benício, e do ambicioso Geninho, de Marcelo Novaes, ela faz a linha mais discreta e procura muito mais ouvir os filhos do que falar ou atuar na vida deles. Nívea garante que também se comporta da mesma forma com relação aos seus três filhos. Procuro controlar minhas emoções. Sou uma espectadora da vida dos meus filhos, frisa a atriz.
Mas existem mães que são tão más e perturbam tanto as vida dos filhos que as saias justas provocadas por elas acabam ficando em segundo plano. É o caso da relação de Fátima, de Tânia Bondezan, e Graziela, de Karina Barum, em Esmeralda do SBT. A Grazi fica muito mais com raiva do que propriamente com vergonha das coisas que a mãe faz, explica Karina. Fátima é uma mãe fria e arrogante que quer abafar a personalidade a filha e fazer com que ela siga apenas as suas orientações como, por exemplo, a de se casar com um homem rico. A Fátima passa por cima dos sentimentos da filha como um trator, mas no fundo ela acha que está certa, comenta Tânia.


