Livros largados pela casa
A escritora, que esteve em Curitiba no mês passado para participar de um bate-papo com pais e alunos, promovido pelas Escolas Positivo, conversou também sobre educação e criação de filhos. ''A questão da família sempre me preocupou. Todos os meus romances são centrados em famílias muito disfuncionais, neuróticas. Acho a loucura a parte interessante. Nunca vou escrever sobre casais que tiveram filhos e foram felizes para sempre. Até que eu queria que a vida fosse assim'', observa.
Lya Luft, que é mãe de três filhos e avó de sete netos, lembra que teve uma infância bastante feliz e divertida. ''Mas eu sempre trabalhei muito com a minha imaginação, essa coisa de olhar para as pessoas e imaginar o lado avesso delas. Eu estava lendo no avião um trecho da biografia de Ana Freud (a filha de Freud), quando o pai disse para ela que a fachada das casas são geralmente muito bonitas, mas que por trás não é sempre assim. Os seres humanos são a mesma coisa. Então, este lado escondido e conflitado sempre me fascinou'', explica a gaúcha, que é enfática ao afirmar não ser uma educadora.
''Sou uma artista, sou uma escritora. Hoje chamam escritor para falar sobre qualquer coisa, desde horta até física quântica. É uma moda né? Me chamaram sobretudo pelos artigos que escrevo para a Veja e pelos meus dois livros de ensaios (''Rio do Meio'' e ''Perdas e Ganhos''). Sempre evitei ao máximo o tom didático. O que faço é refletir sobre criatividade, família, dramas existenciais, temas que escrevo desde o meu primeiro romance'', diz Lya, lembrando que foi uma aluna bastante medíocre porque gostava apenas de português.
Sobre o gosto pela leitura ela diz ser uma ''história muito complicada''. ''É questão de cultura. No País ainda não resolvemos a questão da educação, saúde, da moradia e da decência. Mas existem vários fatores. Primeiro as escolas com poucas bibliotecas e professores desestimulados. Outro ponto é que você vê pais de classe A, B e C reclamando que o filho não gosta de ler. Mas aí eu digo, quantos livros você leu esta semana'', indaga. ''Os livros deveriam estar largados pela casa, como objetos cotidianos. Agora, não são todos que vão gostar de ler. Tem gente que gosta de ler jornal, sobre automóvel, futebol, música popular. Nem todo mundo vai querer ler Machado de Assis'', afirma Lya. (F.G.)





