O estilista Roberto Arad está na frente do espelho. A imagem que vê refletida é ímpar. A de um profissional que está com o pé na estrada há anos, mas que ainda enfrenta os desafios de sempre: a busca pela profissionalização do setor. Dono de uma grife homônima que faz tanto sucesso em Curitiba quanto no Rio de Janeiro ou São Paulo, Arad anda na frente.
Faz jeans como ninguém esse curitibano que está mais para cosmopolita do que um autêntico filho da terra. Enquanto a moda olha para a era vitoriana e pensa nos desafios de uma era de atentados, ele calmamente mergulha no mundo rock, pop. Na piração dos videoclipes, na televisão. As roupas de Arad são feitas para um público avante. Por exemplo, Murilo Benício usou seus jeans nas gravações de seu personagem Léo na novela ‘‘O Clone’’. Rebeldia pop também procurada por Jair Oliveira. O moderno músico, filho de Jair Rodrigues, usa roupas Arad na capa de seu novo CD. Ele e a irmã, a cantora Luciana Mello adoram as roupas do curitibano. Sabe a novela ‘‘Desejos de Mulher’’ da Rede Globo? Pois é lá também podem ser vistas as criações de Roberto Arad. O personagem de Marcos Kieling já apareceu para o Brasil inteiro trajando roupas da grife.
Apesar do sucesso alavancado por garotos-propaganda famosos, toda essa mídia espontânea não vem deslumbrando o estilista. Ele se sente orgulhoso, lógico, mas encara mais como um reconhecimento de um trabalho. Uma produção séria que tem no moulage a base para a modelagem. Com ele as peças são feitas diretamente no corpo de um manequim. É uma técnica francesa que virou universal. ‘‘Nossa modelagem é de grande qualidade, valoriza o corpo da pessoas. É flexível e criativa’’, explica.
Mas não é só na técnica de modelagem que Arad acerta a mão. Como artista que é, enxerga na frente e bem antes da febre da customização invadir os editoriais de moda mais modernos, ele já fazia suas interferências em peças jeans e de malha. O gancho que o levou a destruir para construir novas formas foi o de um pensamento libertário e de proteção à individualidade de cada um. Com as dilacerações que faz em sua peças, Arad acaba convocando os donos de atitudes únicas a procurarem suas roupas. Hoje quem busca uma produção underground na cidade acaba indo em busca de Roberto Arad.
Quando o assunto é construir uma roupa mais chique sem ser careta, o estilista também cria boas opções para suas consumidoras. Sempre economiza nas cores – as preferidas dele são o preto, o bege e o cinza com algumas pinceladas de vermelho, azul e amarelo –, mas nunca perde o humor de criar peças que identifiquem o estilo Arad de vestir. Veludo cotelê, tule (ele faz saias que são anáguas) risca-de-giz e até o paetê tem espaço em suas criações, mas é tudo com leitura diferente, tudo moderno, único, sem cópias e com um certo ar de marginalidade.
‘‘Abater um pouco o vírus da amenidade que abalou Curitiba e vestir os sobreviventes a uma espécie de quase-apocalipse’’ são idéias fixas do criador. Com esse pensamento, Arad continua. Lança sua coleção numa época em que os outros ainda não lançaram ou que todos já mostraram suas criações e não está nem aí. O público que busca sua roupa não está preocupado com o último grito da moda e sim tem uma personalidade forte, difícil de ser entendida e decifrada. E fazer esta tradução para as roupas do dia-a-dia como jeans, camisetas e camisas e ainda para as noites com vestidos, saias e blusas únicas é uma espécie de charada que Arad tem que desvendar a cada estação, a cada troca de lua.

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