Agenciada pela Ford Models, uma das mais respeitadas agências de modelos do mundo, a paranaense Bruna Gonçales ainda faz parte de um seleto grupo, o das tops plus size. Na Ford, por exemplo, são apenas quatro brasileiras, incluindo Bruna. Com 1,83 m, Bruna veste 44/46. Se as medidas diferem do padrão das modelos tradicionais, por outro lado, ficam mais próximas da realidade.

"Há um aumento da demanda, um mercado em ascensão", avisa Bruna. Até cinco anos atrás, quando se mudou para São Paulo, ela nunca havia se imaginado trabalhando como modelo. "As pessoas me falavam que eu tinha que emagrecer para ser modelo", lembra. "Mas nunca quis, ainda mais que, por mais que eu emagrecesse, nunca seria pequena."

"Minha vida era o judô. Comecei bem pequena e por 18 anos foi o que eu fiz", conta Bruna. "Fui campeã brasileira e medalhista nacional, mas nunca cheguei a ir para fora do País", explica. Além de participar de competições, Bruna também deu aulas de judô. "Meus pais se conheceram durante um campeonato. E eu conheci meu 'namorido' (o medalhista olímpico Rafael Silva, o Baby) no tatame. É a história que se repete", diverte-se.

Nascida em Cornélio Procópio, a modelo se mudou logo para Londrina. "Minha mãe era trapezista e viajava muito, então fui morar com os meus avós", diz. A mudança para São Paulo veio de uma decisão especial. "Em um determinado momento, depois de 18 anos treinando judô, decidi que queria outras coisas da vida."

"Nas minhas pesquisas, descobri a modelo Tara Lynn (norte-americana) e fiquei encantada pelo trabalho dela", conta Bruna. Além de uma das expoentes no segmento, Tara também vem encorajando mulheres de todas as medidas a aceitarem suas formas. "Pensei, se existe esse mercado plus size, por que não tentar?", lembra. A modelo entrou em contato com a Ford Models, que também representa Tara no Brasil, e se tornou uma das quatro brasileiras a fazer parte do time de uma das agências de modelos mais importantes do mundo. "Mas eles são rigorosos, tanto que são apenas quatro modelos", explica.

"Hoje é o trabalho que me ocupa, vivo disso, não é um bico. Há uma democratização da moda, as modelos estão mais próximas da realidade", diz Bruna. "E quando dá saudades, visto o quimono e vou treinar um pouco", conta a modelo, que tem se dedicado mais à ioga. "Tento fazer todos os dias", diz.

"Sou a favor do respeito ao corpo, o que melhor ele me permite ser", ensina Bruna. Com uma alimentação balanceada e dieta saudável, a modelo se permite saborear suas próprias receitas. "Amo cozinhar", avisa. O carro-chefe do cardápio é a culinária síria, "apesar de ser descendentes de italianos", brinca.

Desde que se mudou para São Paulo, Bruna tem feito cursos de artes dramáticas com nomes como a preparadora de atores Fátima Toledo, o diretor global Wolf Maya e agora com Fernando Leal. "Fiz mais para me engrandecer como ser humano, mas me encantei com os cursos", diz a modelo, prestes a dar um novo passo na carreira.

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