Em 1945, aos 29 anos, Girz Aronson testou uma ação de marketing na sua estréia em São Paulo: ''Anunciei no 'Estadão' (o jornal 'O Estado de S. Paulo') a oferta de casacos de pele a 1.500 contos de réis, uma pechincha para a época porque chegavam a custar o dobro ou o triplo, no caso dos importados''. Não deu outra: ''As mulheres fizeram filas na porta da loja. Vendi tudo e virei o maior peleteiro de São Paulo. Quem queria comprar um casaco a preço justo me procurava, até no verão''.
Do episódio, Aronson guardou algumas lições: 1) Oferecer produtos mais baratos do que a concorrência; 2) Mostrar-se o melhor vendedor da praça para comprar mais barato dos fornecedores, 3) Queimar a banha de urso (é assim que ele se refere à margem de ganho do varejo) e, sobretudo, 4) Ser amigo dos funcionários. Não é à toa que Elida Craveiro, de 58 anos, há 33 anos trabalha com ele e, hoje, está no caixa da pequena GA. ''Ele sempre me respeitou e pagou em dia'', diz ela com orgulho.
O endereço da antiga loja não poderia ser outro: Conselheiro Crispiniano, 40. ''Acho que um dia essa rua ainda vai levar meu nome'', diz sorrateiro. ''Naqueles tempos, esse era o ponto chique da cidade, porque ficava no caminho do Teatro Municipal e do Salão de Chá do Mappin.'' Na baixa, a casa de peles virou Gurilândia, de roupa infantis, depois a G. Aronson, que ruiu em 1998 e que ele teima reerguer com visível jovialidade. De jeans e tênis.

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