Por necessidades comerciais, há cerca de um mês, o Koringa deixou de ser pessoa física para se tornar pessoa jurídica. Mas quem é a pessoa por trás da máscara, ou melhor da pesada maquiagem e do figurino extravagante? Quem conta é o artista plástico Anselmer Oliveira dos Anjos, que há quatro anos encarna o papel pelos bares, festinhas infantis e feiras de negócios na região norte do Estado.
Quem vê a espontaneidade do Koringa (e é preciso ser um verdadeiro ermitão para não tê-lo visto pelo menos uma vez nesses quatro anos), não imagina que Anselmer já foi tímido. ''Entrei para o Coral da UEL quando me mudei de Apucarana para cá, porque não conhecia ninguém e era muito tímido'', lembra o artista plástico, que em seguida se matriculou em um curso de teatro.
Mas não foram as aulas no palco que fizeram surgir o personagem. Depois do coral, do curso de teatro e do primeiro ano do curso de artes plásticas, Anselmer foi para a Bahia e ficou em Salvador durante um ano. A idéia era transferir a matrícula para a universidade de lá. ''Mas eu não consegui porque só tinha feito 25% do curso e acabei voltando'', conta.
De acordo com o artista plástico, a experiência conquistada na Bahia o ajuda até hoje. ''Tinha três empregos ao mesmo tempo'', lembra Anselmer, que trabalhou com eventos no Pelourinho. Mas nem mesmo a famosa tranquilidade baiana conseguiu inspirá-lo. ''Sempre fui agitado, e logo que me mudei para a Salvador, não conseguia ir à praia durante a semana, mesmo que não tivesse nada para fazer'', conta.
Ao voltar para Londrina, resolveu que precisava fazer algo. ''Me inspirei no Coringa do Jack Nicholson e com mais um amigo fui entregar panfletos para a Papelaria Paraná'', lembra. ''Foi a única vez que eu ofereci meu trabalho, nas outras vezes as pessoas vieram me procurar'', conta Anselmer, que além da panfletagem também colheu assinaturas de torcedores da seleção brasileira de futebol. ''Foi na época da Copa de 98 e nós fomos contratados pela Coca-Cola para pegar assinaturas em uma bandeira que depois foi mandada para a França'', lembra.
''Naquela época íamos para muitos lugares na mesma noite e teve gente que perguntava em quantos éramos'', diz. Hoje, Anselmer toca a Koringaria Marketing e Eventos sozinho. O que não significa que trabalhe sempre sozinho. É o caso do projeto Escola Belo Sorriso (que ensina crianças sobre higiene bucal), idealizado pelo dentista Ricardo Nakama, no qual divide a cena com a atriz Carla Diacov.
A experiência com o trabalho com as crianças inspira outros projetos direcionados principalmente para as mais carentes. ''Gostaria de fazer uma Casa de Diversões do Koringa, mas sem cobrar ingressos. Acredito nas empresas privadas'', conta Anselmer, que já pensa em patrocínios.
Roupas coloridas, maquiagem e sempre fazendo as pessoas rirem. ''Não me considero um palhaço. Não ligo se me chamam de palhaço, mas acho mesmo é que o Koringa é um primo dele'', afirma o artista plástico, que diz que do personagem ele tem o mesmo pique. ''A vida agitada é a mesma'', completa.

mockup