JUNTOS FORA E DENTRO DAS PISTAS
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sábado, 23 de junho de 2001
Elisiê Peixoto De Londrina 
Há 40 anos o italiano Luciano Borghesi desembarcou no Brasil, vindo da Província de Lucca. Na bagagem, além da disposição e da coragem próprias de um jovem de 17 anos, uma paixão ímpar: pelo automobilismo. Desde menino gostava das corridas de carro, do barulho que ele faz, do frisson nas pistas. E tinha como ídolo Tazzio Nuvolari, corredor italiano da Ferrari. Tanto que acabei dando o mesmo nome ao meu filho que hoje corre ao meu lado, explica Luciano.
Quando chegou em Presidente Prudente (SP), na década de 50, a atenção daquele jovem mais do que nunca voltou-se para os pilotos brasileiros que estavam começando a fazer nome. Admirava aqueles jovens destemidos e queria fazer o mesmo. Fui à luta e consegui. Estreei nas pistas, na década de 60, em São Paulo, junto com Emerson Fittipaldi, no Campeonato Brasileiro de Marcas, categoria Ford Willys. Depois da primeira corrida, não consegui mais parar, justifica.
A paixão pelo automobilismo atravessou geração na família Borghesi. Depois de casar-se com Theresa, no interior de São Paulo, ter quatro filhos Luciano, Marcelo, Andrea e Tazzio e mudar-se para Londrina, onde fez próspera carreira no comércio e na pecuária, Luciano Borghesi iniciou um dos filhos no kart.Quando vi que Tazzio levava jeito, não me intimidei. Coloquei o menino na pista em 75. Além de pai, fui patrocinador, mecânico, instrutor, preparador físico, e isso me dava um prazer enorme. Hoje, quando o vejo nas pistas, ou mesmo quando corremos em parceria, tenho a certeza de que valeu a pena. Se tornou um bom piloto, justifica.
Depois de afastar-se uma temporada das pistas para se dedicar à profissão, Luciano Borghesi retornou com força total em 1995. Com a inauguração do autódromo em Londrina, tudo ficou mais fácil. Fui campeão parananese (Força Livre) em 1996; em 97, bicampeão ao lado do meu filho. Em 1999 fui tri e na categoria 500 milhas, bicampeão em 2000. Outro título do qual me orgulho é das mil milhas brasileiras, em 1999 (primeira equipe paranaense a conquistar este título). Neste domingo, Luciano participa de uma corrida em Curitiba, categoria Força Livre, pilotando um protótipo monoposto (que tem modelo Aldee Spyder, com um motor de 2 mil cilindradas).
Tazzio, aos 38 anos, ainda mantém o jeito menino da época em que corria no kartódromo, em Rolândia. Fala com o mesmo entusiasmo de quando tinha 17 anos. E pode-se dizer que o pai acertou em cheio quando o levou para as pistas. O filho acabou se tornando tetracampeão paranaense de kart e depois, vice-campeão brasileiro. Em 1987, Tazzio retornou à categoria marcas e no circuito paranaense se tornou pentacampeão. Sem falar no campeonato brasileiro de Fórmula Fiat. Atualmente participo do campeonato brasileiro de pick-up com uma Ford Ranger. E tenho tido o maior incentivo da família, em especial da minha esposa Gisela. Ela sempre foi meu braço direito, fora e dentro das pistas, declara apaixonado.
Mas quem achou que a vontade de correr se limitava ao pai e ao filho, se enganou. A filha mais nova de Luciano, Andréa, fez sua estréia no automobilismo em 1998. Sempre acompanhei meu pai e meu irmão. E acabei entendendo de tudo um pouco do automobilismo. Aí resolvi correr também e claro, eles e meu marido Edson deram o maior apoio. Domingo último participei do Campeonato Ford Fiesta Brasileiro, categoria feminina e consegui o 7º lugar entre 16 competidoras. Achei o máximo. explica
A vontade de correr está mesmo no sangue da família Borghesi. O nome é referencial no meio automobilístico. Beto Boghesi, primo de Tazzio, já é muito conhecido nas pistas de corrida do Paraná e do Brasil. E Marcelo, o filho mais novo de Theresa e Luciano, também deixou o rastro nas pistas. Participou de dois campeonatos paranaenses de marcas e da Copa Mitsubishi de Rally Brasileiro em 2000.
É o experiente Luciano Borghesi quem faz questão de ressaltar o por que de tanto empenho: Corremos apenas incentivados pela paixão de estarmos na pista. Retorno financeiro como prêmios em dinheiro, coisas do tipo, não existe. Apenas o apoio dos patrocinadores. Palavras parecidas com as de Ayrton Senna, em uma de suas últimas entrevistas: Vocês nunca saberão como um piloto se sente quando vence. O capacete oculta sentimentos incompreensíveis.


