Jóia rara
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sábado, 12 de março de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Ex-professora primária, Helena Lara foi se envolver com jóias após seu casamento. O marido e o sogro tinham iniciado o negócio e Helena passou então a colaborar primeiro na administração e aos poucos foi assumindo o design da joalheria. Mas só há cerca de cinco anos é que sua assinatura passou a ser mais conhecida.
''Sempre fui muito discreta'', lembra Helena, que diz não se preocupar muito com essa propaganda pessoal. ''Quando a gente tem vergonha não quer se expor muito, vai acontecendo aos poucos'', completa. Assumir publicamente que era ela a designer da joalheria da família ganhou força depois que Helena percebeu que muitos clientes sequer chegavam a ver as criações.
''Muita coisa que eu criava nem a ia para a vitrine'', conta Helena, que não tinha tempo de criar uma coleção inteira porque as peças que ficavam prontas logo eram vendidas. ''Agora, com o ateliê, fica um pouquinho mais fácil'', diz. Mesmo assim, a ansiedade pelas novidades é geral e inclui desde o marido, as vendedoras e a clientela, claro.
Com oficina e fábrica próprias, a designer explica que servir o cliente sempre foi prioridade. Tanto para criar peças exclusivas quanto para repaginar jóias antigas. Para poder atender a demanda dupla serviços e novas coleções Helena planeja um aumento da produção da fábrica a curto prazo.
''Tenho recebido muitos convites para desenhar para outras joalherias do Brasil, mas neste momento quase não consigo abastecer a minha loja'', explica. Na última feira de jóias que participou, Helena conta que uma peça que usava, com flores esculpidas uma de suas marcas registradas foi elogiadíssima pelos colegas, mais de 200 expositores de todo o Brasil.
Mesmo passando por uma escola de joalheiros, Helena se diz autodidata. ''A escola nos coloca num padrão, que eu não gosto'', avisa. Quando viaja para o exterior atrás de novidades em pedras, a designer evita comprar quilos e mais quilos de revistas especializadas. ''Acho que o olhar vicia, não é legal'', explica. ''Prefiro me inspirar no que vejo durante a viagem, nos lugares, nas lojas. Gosto de tocar as coisas e sentir as texturas'', afirma.
Da Suíça, no ano passado, trouxe a morganita, pedra brasileira com um suave tom de pêssego. Tudo a ver com o romantismo que permeia as últimas criações. Assim como boa parte dos joalheiros, Helena também costuma lançar duas coleções anuais. Uma perto do Natal e outra próxima ao Dia da Mães, as duas datas mais concorridas no setor.
Com um agradável ateliê à disposição, Helena não abre mão de passar momentos na loja para não perder o contato com os clientes. ''A jóia sempre encantou o ser humano. Ninguém precisa comprar uma jóia ou uma roupa de grife, por isso quando alguém adquire uma, a gente percebe a alegria da pessoa e isso faz bem'', conta a designer, que acaba se energizando com esses bons sentimentos.
Antes mesmo de ingressar no mundo joalheiro, Helena lembra que gostava muito de jóias. ''Meu pai sempre me presenteava. Até hoje não esqueço um conjunto com pulseira, brincos e colar de bolas amassadas'', diz. É com o mesmo carinho que ela sonha em presentear a filhinha, que ainda não chegou. Mãe de Júnior, de 24 anos, Helena espera há cerca de três anos, ao lado marido, a adoção de uma menininha. ''Por meios legais tem essa demora mesmo'', explica.
''Já montei todo o quartinho e o enxoval está pronto'', conta a designer, que não esconde a emoção. ''Quero ver a carinha dela primeiro para depois criar algo especial'', planeja.


