Até amanhã, acontecem na capital paulista os desfiles da São Paulo Fashion Week, evento que vem apresentando, desde quarta-feira, as coleções outono-inverno 2001 das principais grifes do País. Entre tantos sotaques e culturas diferentes (dos jornalistas e compradores de todo Brasil e de algumas partes do mundo), o jeitinho paranaense também manda o seu recado.
É o caso do londrinense Nenê Jeolás, que há quase dois anos é o coordenador de fotografia da revista Elle, da Editora Abril. Durante os seis dias de desfiles, Jeolás estará percorrendo os corredores do prédio da Fundação Bienal para fotografar personagens para o site da revista (www.elle.com.br). Munido de câmera digital, Nenê experimenta algo novo em sua vida, que é a fotografia.
Apesar de ser coordenador da área fotográfica de uma das principais revistas de moda do Brasil, o ato de fotografar ainda é novidade para ele. Na revista, Jeolás é responsável por contatar fotógrafos, sugerir nomes de profissionais que mais se encaixem no perfil do editorial de moda ou comportamento a ser produzido.
Formado em Artes Plásticas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jeolás diz que nunca pensou em trabalhar em revista. ‘‘Sequer tinha entrado numa redação’’, lembra. Foi uma indicação de um amigo, crítico de arte, que o fez ir até a Editora Abril, logo que chegou ao Brasil depois de dois anos e meio morando em Londres, onde fez cursos de especialização.
‘‘Na época, a Abril estava pensando em lançar a revista People e precisava de uma pessoa como eu, que tivesse conhecimentos de arte e estética’’, conta Jeolás. O projeto acabou não saindo, mas ele foi chamado por Renata Rangel (diretora de redação da Elle) para trabalhar na revista. ‘‘Eu também tinha uma proposta da Itaú Cultural, que tinha muito mais a ver com a minha área, mas eu quis fazer algo diferente’’, explica.
Até então, Jeolás lembra que tinha um certo preconceito com o mundo da moda. ‘‘Quando vim assistir ao primeiro MorumbiFashion (agora rebatizado de São Paulo Fashion Week), vim meio forçado’’, conta. ‘‘O que acontece em torno da moda é muito fútil, mas o núcleo é muito sério’’, explica. Para ele, a moda assumiu o discurso que as artes plásticas tinham na década de 60 e 70. ‘‘É um discurso sempre muito específico para quem é da área’’, diz Jeolás sobre as afirmações de estilistas quando querem conceituar uma coleção.
Em Londrina, Nenê sempre preferiu montar exposições e fazer curadorias ao trabalho artístico em si. ‘‘Eu era mais de fazer instalações, como quando coloquei catracas de um lado a outro no Calçadão’’, conta. Antes de fazer a faculdade de artes plásticas, Jeolás teve um restaurante e também fez teatro com o grupo Proteu durante alguns anos. ‘‘Acho que o mercado hoje busca profissionais assim, meio multimídia’’, afirma. ‘‘Muita gente acha que fazer artes plásticas é só para dar aula de educação artística, mas oferece muitas possibilidades’’, garante.
E por falar em possibilidades, é o amplo leque delas que, segundo Jeolás, faz o trabalho ser legal na revista. ‘‘Eu só não sirvo o cafezinho, nem limpo os vidros’’, brinca. Nos planos para este ano, está em pauta muito mais trabalho. ‘‘Além da Elle, vou trabalhar com fotografia também em uma agência de publicidade’’, conta.
‘‘Estou vivendo um momento legal, mas é preciso ter em mente que não é tudo. Não posso ficar restrito. Quero aproveitar esse momento e depois, quem sabe, morar à beira mar’’, completa. ‘‘Hoje eu sinto que trabalho em São Paulo, mas não moro aqui’’, diz Jeolás, que dificilmente passa um final de semana na capital paulista. ‘‘Tenho saudades de Londrina, que é superbonita e tem uma ótima qualidade de vida, onde se pode ir almoçar em casa’’, conta Jeolás, que visita a cidade uma vez por mês para rever a irmã os amigos.

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