Irmandade fashion
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sábado, 06 de setembro de 2003
Reportagem Local 
Apesar de ser o segundo pólo confeccionista do Brasil, só perdendo para São Paulo em quantidade de peças produzidas, o Paraná ainda não tem muita expressão quando o assunto é criação de moda. Tanto é que apenas o curitibano Jefferson Kulig tem seu espaço garantido na badalada São Paulo Fashion Week. Mas pelo que se viu no mês passado, é claro que isso é só o começo de uma história que promete dar o que falar.
Em agosto, o Estado teve o seu momento mais fashion por conta de dois eventos que movimentaram a capital, com o Curitiba Fashion Art, e também Maringá, sede do Paraná Fashion. Em comum, além das passarelas armadas para grifes e estilistas paranaenses mostrarem suas coleções, os eventos também querem o mesmo: colocar o Paraná na trilha da moda.
Não por acaso, é o mesmo sonho que dividem as irmãs Lucia e Vanessa Wander, sócias ao lado de Ed Benini da Fashion House, responsável pela organização do Paraná Fashion. O curioso é que, apesar de tanta boa vontade em impulsionar a moda paranaense, as duas nasceram e cresceram em São Paulo.
Elas vieram morar em Maringá por razões e em épocas diferentes. Primeiro veio Lucia, que se mudou para a Cidade Canção logo após o casamento. Ao trocar de cidade, ela também acabou deixando de lado a moda foi modelo, professora de futuras modelos e produtora. ''Fiquei sete anos sem trabalhar e fui estudar artes plásticas'', lembra Lucia.
Quando resolveu unir as duas paixões, ela começou a ''produzir desfiles com cara de grandes shows''. Daí para conhecer Ed e montar a Fashion House foi só uma questão de tempo, cerca de cinco anos atrás. ''Vim ajudar porque eles tinham dois desfiles no mesmo dia e nunca mais voltei para São Paulo'', conta Vanessa, que desembarcou em Maringá há pouco mais de quatro anos trazendo na bagagem a experiência em marketing.
Juntas novamente na mesma cidade, as irmãs, que se dizem grudadas e apaixonadas, têm muito mais do que cumplicidade familiar. ''Somos cabeça e corpo, ela é a criação, eu executo'', explica Vanessa. É por isso que elas são tão sintonizadas em seus objetivos. Na verdade ''o'' objetivo, que é ''fazer o Paraná entender que tem o poder de fazer moda'', explicam.
''Tivemos um resultado expressivo logo na primeira edição (em abril de 2002), quando trouxemos um stylist (produtor de desfiles) de São Paulo. Hoje já não precisamos mais desse profissional'', garante Lucia. Até porque, segundo Vanessa, marcas que antes sequer tinham estilista, agora contam com cinco. ''Fazemos um acompanhamento e damos orientação ao longo do ano'', completa. Ou seja, o trabalho das irmãs vai muito além dos três ou quatro dias de desfiles.
''Os três meses que antecederam o evento foram muito difíceis'', lembram as irmãs que tiveram que buscar patrocínios (o evento custou R$ 1 milhão) e apoios políticos. Mas nada de descanso. Nem bem acabou a terceira edição e elas já estão planejando a próxima, que vai ter um diferencial: o inverno será mostrado em Curitiba, em meados de março do ano que vem, e depois volta para Maringá para o verão.
''É um processo natural, achamos que em Curitiba, que é uma cidade mais fria e própria para se mostrar coleções de inverno, o evento fica mais competitivo porque a cidade tem mais atrativos para o comprador. Mas também não esquecemos que Maringá e região têm o pólo confeccionista'', justifica Vanessa.
E não dá mesmo para descansar já que para a dupla ''em dois ou três anos o Paraná será um grande pólo de moda também''. ''E não falta muita coisa para acontecer. Nosso processo está mais rápido'', garantem. Além da confiança que conquistaram das confecções da região, as duas também estão em alta com empresários e políticos. ''Para a Abit (Associação Brasileira de Indústria Têxtil), nós somos as pessoas de moda do Paraná'', conta Vanessa. A boa notícia é que elas estão para lá de bem-intencionadas.


