Invenção londrinense
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sábado, 17 de setembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
O gosto pelos estudos vem desde menino. Hoje, aos 45 anos, o londrinense Carlos Alberto Spironelli Ramos é um dos nomes presentes nos congressos mundiais de Endodontia (especialidade que cuida da prevenção e tratamento das doenças da polpa dos dentes, ou o tratamento de canal) e promete ir além.
Com as malas prontas para embarcar para Roma, Nova Iorque, São Paulo e Moscou, Ramos irá apresentar para especialistas de diversos países, dois equipamentos para a prática ortodôntica desenvolvidos por indústrias estrangeiras, mas criados pelo londrinense.
''Gosto muito de estudar e pesquisar. Sou endodontista há 22 anos e na prática diária, percebi que era preciso agilizar e usar a tecnologia em prol do tratamento de canal. A partir daí, dei início a um processo criativo para tentar desenvolver alguma coisa'', explica o dentista, doutor em Endodontia, autor de três livros na especialidade e professor do curso de Odontologia na Universidade Estadual de Londrina.
O processo criativo citado por ele culminou em dois aparelhos que prometem inovar a área da Endodontia em todo o território mundial. Tecnicamente, os equipamentos irão compor a prática operatória.
Um deles serve para fazer a medição do canal eletronicamente e o outro para limpar e modelar o canal para receber a obturação, também automaticamente. ''Nós trouxemos as novidades em tecnologia de outros países e começamos a estudar alternativas viáveis para o tratamento ortodôntico sob o ponto de vista brasileiro. O objetivo é propiciar precisão e confiabilidade a diferentes estágios do tratamento de canal, levando conforto aos pacientes e melhores perspectivas quanto ao resultado pelo operador'', diz.
A ideia, a concepção e praticamente todo o desenvolvimento do trabalho foi feito por Ramos e uma equipe da disciplina de Endodontia na UEL. ''Nossa grande ideia foi criar um movimento automatizado que requer um único instrumento para tratar os três canais de um molar. O instrumento faz movimentos recíprocos e alternados de tal maneira de que você consegue tratar o canal em cinco minutos, o que levaria normalmente, de 20 a 30'', afirma.
Ramos explica que é detentor das patentes dos equipamentos, mas a produção foi executada por uma indústria americana e outra israelense, pois no Brasil o processo para desenvolver a tecnologia de alto nível seria bem mais lento. Aliás, no país os produtos ainda precisam ser aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seguindo o exemplo nos Estados Unidos e Europa.
Porém, sob o ponto de vista do especialista, a acessibilidade aos equipamentos no Brasil depende apenas de alguns meses. ''Serão criadas versões mais simplificadas, pois esses equipamentos, embora tenham sofisticação, não apresentam um valor agregado muito alto. Por isso, seu uso também não irá encarecer o tratamento'', salienta o londrinense, que acredita que suas invenções trarão mudanças de paradigma. ''Não são somente artefatos que vêm para contribuir. Eles transformam todo um procedimento dentro da Endodontia, que é um dos mais complicados'', ressalta.


