Inusitado anti-herói
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de agosto de 2006
Mariana Trigo<br> TV Press 
Bruno Gagliasso tem uma trajetória curiosa na tevê. Apesar de ser um dos recordistas de cartas na Globo, jamais fez um galã na telinha. Muito pelo contrário. Seus últimos papéis são para lá de singulares. Depois de estrear como o tímido Rodrigo em Chiquititas, pelo SBT, há sete anos, Bruno tem vivido personagens polêmicos na Globo. Desde o problemático e deprimido Inácio de Celebridade, passando pelo estilista gay de América até seu atual e atrapalhado matuto de época, o Ricardo, de Sinhá Moça, o ator não costuma emplacar mocinhos que condizem com sua imagem de galã teen. ''Posso até ser bonito, mas não faço o tipo galã. Sou baixinho demais para isso'', acredita o ator de 1,72 m de altura, que está em sua primeira trama de Benedito Ruy Barbosa.
Um dos campeões de cartas da Globo, Bruno acho isso muito louco. ''Mesmo que eu venha a fazer um galã, eu não me vejo assim. Na minha concepção, nunca fui nem vou conseguir ser o galã. É esquisito eu ser visto como um, já que sou baixinho. Galã tem de ser alto, grandão, atlético. Também nunca peguei um papel que ficasse com várias mocinhas e garanto que não me incomodo com isso. Prefiro fazer um vilão, um estuprador, um maluco. Mas um dia até quero mesmo fazer um galã para ver como é. Quero ser um camaleão. Consigo mudar muito de um personagem para o outro pelas boas oportunidades que me dão. E isso tem me estimulado muito.
Ao falar do matuto de época que está vivendo, o ator diz que é um personagem totalmente de composição e isso o atraiu muito. ''Principalmente a forma de ser tão distante da minha vida e de todos os personagens que já fiz. Mas não vi e nem li nada sobre a primeira versão da novela''. Para se inspirar, Bruno voltou às memórias da infância, do tempo em que vivia viajando para sítios e fazendas. ''Mas o Matheus Nachtergaele, basicamente, foi a minha inspiração, assim como o Selton Mello. Pensei até no que o Murilo Benício já fez para destrinchar essa composição. É engraçado, porque em outras novelas eu me inspirava em Marlon Brando, James Dean, Alain Delon''.
Quanto aos sonhos maravilhosos com a Baronesa (personagem de Patrícia Pilar), o ator revela que os dois se divertem muito em cena. O estúdio sempre fica lotado quanto gravam as cenas deles. ''O mais louco é que ele também gosta da Ana do Véu e, na verdade, não consegue ter nenhuma das duas. Minha sensação é que venho para o Projac para me divertir (...). Eu tenho 24 anos e muitas coisa para aprender. Acho que estou tendo oportunidades que muitos atores de 40 anos não tiveram. Os da minha idade, então, nem se fala. Me acho um cara de sorte. O que quero sempre são esses rebeldes com causa (os personagens), que tenham alguma coisa para falar e que não passam em branco pelas tramas. Todos têm uma rebeldia por algum motivo''.
Abordado nas ruas, o ator se surpreende com o sucesso, apesar de ser uma novela das seis. ''Parece que tem ainda mais repercussão. As pessoas me abraçam nas ruas. As mulheres dizem: 'Deixa para lá essa Ana do Véu que não quer você e pega a Baronesa de vez!' 'Mete a cara, menino do céu!'. Mas as coroas não chegam a se insinuar''.
O ator confessa que no início da carreira sofreu muito preconceito por ser bonito. ''Mas o Jayme Monjardim me fez aprender e amar essa carreira quando fiz A Casa das Sete Mulheres. Ele me fez gostar de estudar, me deu esporros. O Jayme me deu o estalo da carreira na tevê. Disse que ali, no teatro e no cinema, nada era brincadeira.
Mas cinema, por enquanto não está nos planos dele. ''Estou fazendo personagens tão bacanas na tevê que, para fazer cinema, teria de ser um convite para um papel interessante. Isso ainda não aconteceu. Mas eu não tenho pressa. Vou estudando e crescendo aos poucos''.


