Intimidade real
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de fevereiro de 2002
Roberta Brasil TV Press 
Quase dois séculos separam o ator Marcos Pasquim do príncipe-herdeiro e depois imperador Dom Pedro I. Mas nada disso impede que Pasquim sinta-se íntimo do homem que deu o grito de independência. Afinal, foi a ele que o autor Carlos Lombardi confiou o personagem histórico na minissérie global O Quinto dos Infernos.
Como você compôs o personagem?
Visitei alguns museus, como o da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e o Museu do Ipiranga, em São Paulo. Em seguida, mergulhei nas pesquisas, tive aulas de esgrima, equitação, capoeira e canto lírico. Imagine que até lições de etiqueta eu tive!
O que você descobriu sobre Dom Pedro que não se conta nos livros de história?
Nossa, descobri muita coisa. Ele era um cara gente como a gente, mais humano do que se pinta por aí. Não sabia, por exemplo, que Dom Pedro tocava vários instrumentos, inclusive violão que era malvisto na época. Não fazia idéia de que usava pseudônimos para escrever e jamais imaginaria que gostava de jogar capoeira com os escravos. Também confirmei aquela história de que ele estava de piriri quando proclamou a independência do Brasil. Agora, morri de rir mesmo quando soube que Dom Pedro era priápico: ficava excitado o tempo todo. Por isso o cara arranjava um monte de amantes e acabou tendo 28 filhos. Já pensou se fosse hoje... Iria à falência de tanto pagar pensão!
Como é fazer um personagem que realmente existiu?
É a primeira vez que estou fazendo um personagem real e sinto essa responsabilidade nas minhas costas. Por isso, apesar das brincadeiras, estou levando esse trabalho muito a sério.
E você buscou alguma inspiração para criar o seu Dom Pedro?
Não, de jeito nenhum. Tive medo de me deixar influenciar. Soube que no filme Independência ou Morte, por exemplo, o Tarcísio fez um Dom Pedro mais sisudo, militar. Esse não é meu personagem. Faço o Pedro, o príncipe mulherengo, meio rebelde, que só mais à frente assume uma postura militar. E mesmo assim, nunca vai deixar de ser engraçado.
Esse é seu primeiro trabalho de época. Encontrou alguma dificuldade?
O texto é difícil porque é num português mais arcaico. A não ser que você saiba direitinho onde colocar o lhe, o lhes, todas essas firulas da língua portuguesa. Eu não sou doido de arriscar!
O Quinto dos Infernos tem recebido várias críticas por causa do excesso de nu e das cenas de sexo...
É como aconteceu em Uga Uga, em Vira-lata, Quatro Por Quatro... Todas as obras do Lombardi são assim. Sempre criticam e sempre assistem! A minissérie termina depois da meia-noite com 30 pontos de Ibope. Isso quase nunca aconteceu!


