Quase dois séculos separam o ator Marcos Pasquim do príncipe-herdeiro – e depois imperador – Dom Pedro I. Mas nada disso impede que Pasquim sinta-se ‘‘íntimo’’ do homem que deu o grito de independência. Afinal, foi a ele que o autor Carlos Lombardi confiou o personagem histórico na minissérie global ‘‘O Quinto dos Infernos’’.
Como você compôs o personagem?
Visitei alguns museus, como o da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, e o Museu do Ipiranga, em São Paulo. Em seguida, mergulhei nas pesquisas, tive aulas de esgrima, equitação, capoeira e canto lírico. Imagine que até lições de etiqueta eu tive!
O que você descobriu sobre Dom Pedro que não se conta nos livros de história?
Nossa, descobri muita coisa. Ele era um cara ‘‘gente como a gente’’, mais humano do que se pinta por aí. Não sabia, por exemplo, que Dom Pedro tocava vários instrumentos, inclusive violão – que era malvisto na época. Não fazia idéia de que usava pseudônimos para escrever e jamais imaginaria que gostava de jogar capoeira com os escravos. Também confirmei aquela história de que ele estava de ‘‘piriri’’ quando proclamou a independência do Brasil. Agora, morri de rir mesmo quando soube que Dom Pedro era priápico: ficava excitado o tempo todo. Por isso o cara arranjava um monte de amantes e acabou tendo 28 filhos. Já pensou se fosse hoje... Iria à falência de tanto pagar pensão!
Como é fazer um personagem que realmente existiu?
É a primeira vez que estou fazendo um personagem real e sinto essa responsabilidade nas minhas costas. Por isso, apesar das brincadeiras, estou levando esse trabalho muito a sério.
E você buscou alguma inspiração para criar o seu Dom Pedro?
Não, de jeito nenhum. Tive medo de me deixar influenciar. Soube que no filme ‘‘Independência ou Morte’’, por exemplo, o Tarcísio fez um Dom Pedro mais sisudo, militar. Esse não é meu personagem. Faço o Pedro, o príncipe mulherengo, meio rebelde, que só mais à frente assume uma postura militar. E mesmo assim, nunca vai deixar de ser engraçado.
Esse é seu primeiro trabalho de época. Encontrou alguma dificuldade?
O texto é difícil porque é num português mais arcaico. A não ser que você saiba direitinho onde colocar o ‘‘lhe’’, o ‘‘lhes’’, todas essas firulas da língua portuguesa. Eu não sou doido de arriscar!
‘‘O Quinto dos Infernos’’ tem recebido várias críticas por causa do excesso de nu e das cenas de sexo...
É como aconteceu em ‘‘Uga Uga’’, em ‘‘Vira-lata’’, ‘‘Quatro Por Quatro’’... Todas as obras do Lombardi são assim. Sempre criticam e sempre assistem! A minissérie termina depois da meia-noite com 30 pontos de Ibope. Isso quase nunca aconteceu!

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