Paris- O nome de Filipa Pato já circula entre as principais mesas de enólogos e enófilos do mundo e acaba de chegar ao boca-boca dos especialistas brasileiros. Aos 31 anos, a filha primogênita de Luis Pato, um dos mais importantes vinicultores portugueses, já é apontada como uma revelação na profissão que resolveu seguir embalada pelo histórico familiar. Nascida na região de Barrada, de onde seu pai e agora ela mesma exploram a terra para tirar sabores especiais de vinhos, a moça teve cedo o contato com as bebidas através da visão feminina das avós. ''Quando era criança, ia às adegas da família com minhas avós. Elas entendiam da fermentação dos vinhos''. Uma época em que os primeiros aromas começavam a entrar na sua mente, mas não no seu ideal de vida.
Felipa primeiro fez o que todo jovem europeu faz. Estudou engenharia química ''o curso que se tira quando não se sabe o que fazer'', sublinha na Universidade de Coimbra, onde se formou em 1999, e resolver conhecer não somente o resto do Velho Mundo como também o Novo. ''Queria sair de Portugal. Ver o que se passava em outros países. Trabalhei na França, Austrália, Argentina somente na área de laboratórios, na parte cientifica''. Esses primeiros trabalhos estavam ligados com vinhos, mas ela ainda não tinha sido fisgada pela influência do pai famoso, apesar de ser inevitável. ''Ele também me influenciou'', conta ao citar a sua casa como um lugar onde os vinhos, seus aromas, suas notas, sempre estiveram presentes.
Bem, depois de virar o mundo com sua vontade de aprender, ela acabou por voltar a Portugal e finalmente resolveu dar início a um projeto solo e ousado. Era 2001, quando Felipa viu o quanto as terras de sua região poderiam ser exploradas e produzir boas bebidas. Passou então a trabalhar a fermentação das uvas, trabalhar frutas silvestres e acabou por criar sua própria linha de vinhos. Com a denominação de FP, seus produtos já ganham elogios entre os analistas das bebidas produzidas na região da Baixada e do Dão, lugares de tradição em Portugal.
Recentemente, ela ganhou um artigo elogioso de um crítico inglês. E já entrou na lista dos melhores vinhos dois meses seguidos do jornal Financial Times. Prova de que faz a trilha certa. Felipa tem somente 31 anos e já esta avançada numa profissão que, aparentemente poderia ser de pessoas mais vividas. Como? Ousadia. Ela não acha que por ter nascido num lugar bom na produção de vinhos, não tenha o que aprender com outros países sem tradições vinícolas.
E a profissão é machista? Fez cara feia ao vê-la tão jovem e arrojada aparecer como concorrente? ''Não. É um mercado aberto. Reconhecido pelo dinamismo e modernidade. O vinho precisa de equilíbrio e ele acontece quando homens e mulheres trabalham na sua elaboração''. Ela também acha que por ser jovem não tem o conservadorismo que poderia atrapalhar no avanço de sua profissão. ''O Novo Mundo tem uma consistência, isso não pode ser ignorado''. E é essa visão que a faz estar a caminho do topo já tão cedo e tão bem escoltada. ''Temos que aprender com o Novo Mundo. Quem pensa que não pode aprender com ele está errado''.

ENTRELINHAS
áá- Felipa esteve recentemente no Brasil, em cidades como São Paulo e Curitiba para lançar sua linha de cinco bebidas entre vinhos tinto, branco e espumante.
- Depois que aprontou sua linha, ela mesma saiu pelo mundo para fazer seu marketing. Atualmente viaja de oito a dez vezes por ano para mostrar aos distribuidores as vantagens de suas bebidas.
- Felipa tem família em Curitiba. São tios e primos em casas onde ela, inclusive, fica hospedada.
- Seus vinhos custam entre 100 e 200 reais, valores considerados honestos para bebidas de boa qualidade.

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