Se a palestra da gestora da Apex-Brasil Maira Rodrigues já havia despertado interesse nas mais de 100 mulheres presentes ao Encontro das Mulheres Empresárias, o depoimento, logo em seguida, da psicóloga Maria Salete Arenales-Loli foi ainda mais inspirador. Com uma ideia que surgiu na sua clínica, em Apucarana, ela está ultrapassando as fronteiras do Brasil e se prepara para conquistar o mercado de língua inglesa.

"Em dois meses deve ficar pronta a versão em inglês e espanhol", avisa a psicóloga, que conta com a colaboração de Christian Whitt. "Não é só uma tradução, é preciso fazer uma leitura cultural e como o Christian está no Brasil há 15 anos, tem experiências aqui e nos Estados Unidos, além de conhecer outros países."

O produto em questão é o que Maria Salete chama de "inovação técnica no atendimento psicológico". No caso, é um jogo que ela foi desenvolvendo nos últimos 10 anos, mas que utiliza seus 20 anos de experiência profissional. "Todo o material foi produzido dentro da clínica. Fui testando, colocava uma carta, via os efeitos. Eles mesmos (pacientes adolescentes) foram corrigindo", lembra. "Foram incríveis os resultados clínicos que fui conseguindo", lembra.

"É um jogo que não tem nada de excepcional, mas isso é simples agora", explica Maria Salete, que apresentou o seu inovador Kit Túnel do Tempo em 2011, durante o Congresso Brasileiro de Ludodiagnóstico. Empreendedora, a psicóloga investiu o próprio dinheiro para a produção do kit voltado para os adolescentes.

"Dentro da psicologia clínica, a gente usa o recurso da fala com o adulto. Ele consegue chegar em uma sessão e relatar o que o angustia, onde dói. Com as crianças observou-se que o brincar tinha um simbólico e que por ali poderia se estabelecer uma comunicação. Já com o adolescente o brincar é meio aposentado e ainda não tem desenvolvido o falar. A verbalização está em vias de desenvolvimento", relata.

"É um mercado que está muito descoberto. Eu sempre falo isso para os psicólogos 'estudem os adolescentes'. É um material que nasceu de uma dificuldade, de um problema. Primeira de uma demanda minha e depois dos outros. E que tem um mercado internacional", conta.

No boca-a-boca, Maria Salete vendeu rapidamente as três mil primeiras unidades. "Logo no começo começaram a chegar pedidos de Portugal e Espanha, mas eu não me achava preparada para exportar." Mas com determinação, a psicóloga empreendedora foi atrás de entidades como Sebrae e Peiex (Projeto Extensão Industrial Exportadora).

Com o sucesso do Túnel do Tempo surgiu A Máquina do Faz e Refaz e este ano ainda deve sair o material para a terceira idade. "Não tem nada para os idosos e é algo em que estou trabalhando nos últimos quatro anos", adianta Maria Salete. Há um ano e meio, decidiu se afastar da clínica para poder atender a demanda com os jogos. "Mas não consegui tirar o meu nome na placa da clínica que dividia com meu marido, que é endocrinologista", diz. "Faço algumas sessões esporádicas com pacientes antigos, mas novos não aceito mais."

"Resolvi fazer o doutorado, que é o estudo desse material, para dar credibilidade a ele, a entender melhor o que acontecia. É muito interessante o feedback que recebo, me mostra que estou no caminho certo. Tenho quatro livros publicados, mas os leitores não me dão o mesmo feedback que tenho com o jogo", explica. "Foi o que me deu forças para deixar a clínica, há um ano e meio. Alguém me disse que eu não deixei a clínica, mas que eu reinventei a psicologia, achei profundo. Mas é que estou pensando a clínica de uma outra forma", avisa.

Natural de Presidente Prudente (SP), Maria Salete veio cursar Psicologia na Universidade Estadual de Londrina. Depois de 15 anos residindo em Apucarana, voltou para Londrina por conta dos estudos dos filhos. "Eu e meu marido tínhamos o sonho de criá-los no interior", lembra.

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