Inglês bem brasileiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Karla Matida<BR>De Londrina 
Durante muito tempo, acreditou-se que tudo o que vinha de fora das fronteiras tupiniquins era melhor do que o produzido aqui. Claro, há muitos produtos importados maravilhosos, que são objetos do desejo de 10 entre 10 brasileiros, mas o potencial verde-amarelo não fica atrás. Exagero ufanista? Nem tanto. Um bom exemplo é o ensino de línguas estrangeiras, como o inglês, que é lecionado até mesmo em algumas pré-escolas.
Os institutos de ensino de idiomas quase sempre buscaram nos livros de autores estrangeiros, principalmente os britânicos, a base para as aulas. A novidade no cenário é uma tendência que se percebe nas editoras internacionais, que abastecem o mercado nacional com livros britânicos, mas que estão saindo em busca de autores brasileiros para livros específicos para o nosso mercado.
E nessa onda, o professor londrinense Marcelo Baccarin Costa é um dos pioneiros. Há 19 anos ensinando inglês, ele acaba de lançar um livro para os três anos do colegial e que foi publicado por um editora inglesa, a MacMillan. O livro, um único volume para os três anos, já está em catálogo e deverá ser utilizado nas escolas de todo o País a partir do ano que vem.
É o segundo livro de autor brasileiro lançado pela editora, que antes disso já trabalhava com consultores daqui sobre os livros produzidos no exterior. Aliás, antes de escrever o livro, Marcelo Baccarin já trabalhava como consultor da MacMillan, dividindo seu tempo entre as aulas para adolescentes em escolas do ensino médio e também para professores de inglês, que recebem treinamentos em sua escola.
De acordo com o professor, a procura das editoras estrangeiras pelos autores locais surge principalmente porque as referências sobre o Brasil encontradas nos livros importados são sempre repetitivas. É sempre sobre Pelé, Senna e feijoada, explica Baccarin. Para ele, em geral, os livros estrangeiros têm um ótimo referencial linguístico, mas perdem pontos quando o assunto é falar especificamente para o público brasileiro. Com as editoras nacionais, acontece justamente o contrário.
No livro, além das leituras críticas de professores conhecidos durante todo o processo de produção, tivemos cuidado com a precisão linguística, com a revisão de uma professora inglesa, uma norte-americana e um professor da Puc-SP, explica Baccarin, que além de pedagogo também tem especialização pela Universidade de Cambridge.
Com foco no vestibular, o livro Globetrotter (edição não-consumível, o que significa que pode ser passado de um aluno para outro) traz até um teste vocacional, além de ensinar como preparar um currículo, como se preparar para uma entrevista de emprego. A expectativa das vendas é a melhor possível, conta o autor, que espera atingir todo o Brasil com o livro.
Na escola regular, o inglês compartilha espaço com outras matérias, por isso mesmo o foco tem que ser bem direcionado, afirma.


