Quando se casou e foi morar numa fazenda, a curitibana Cloris Ferreira levou com a mudança e o enxoval, um piano afinadíssimo para lhe fazer companhia. Acabou conquistando os ouvidos dos empregados, que adoravam ouvir os clássicos reproduzidos por ela. Por conta dessa experiência, a pianista formada pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, desenvolveu os Concertos Rurais, quando foi diretora executiva do Festival de Música de Londrina.
Foram 11 anos à frente de festival londrinense, sempre na estrada capital-interior. Apesar de estar afastada oficialmente dos eventos culturais da cidade, a relação com Londrina não adormeceu. Tanto é que em 1999, Cloris adquiriu os direitos autorais do livro Terra Vermelha (do londrinense Domingos Pellegrini), o qual quer ver transformado em filme a partir do ano que vem.
Apesar da Lei Rouanet e das leis de municipais e estaduais incentivo à cultura, a arte no País fica à mercê dos mecenas, diz. ‘‘Se eu me considero uma mecenas? Quem dera ser tão rica assim’’. Aceitando ou não a denominação, a questão é que a empresária curitibana usa todas as horas disponíveis para promover e incentivar a cultura, principalmente a paranaense.
No caso do filme Terra Vermelha, além de apostar em um autor do Estado, Cloris também procura se cercar de ‘‘mão-de-obra’’ local. Com a produtora ‘‘Araucária’’, empresa sem fins lucrativos fundada em 92, vai promover durante este ano algumas oficinas técnicas para formação de pessoal especializado. A primeira delas, de roteiro, aconteceu no início deste ano, outras três já estão agendadas. Uma das exceções entre a trupe paranaense fica por conta do diretor Ruy Guerra.
‘‘É um processo lento, mas temos que fazer a base, plantar bem para ter frutos reais. Se não está bem enraizada não vai vingar’’, explica Cloris. Para ela, por enquanto, o Paraná não consegue disputar com outros estados. O Rio Grande do Sul, por exemplo, já tem mais planejamento’’, afirma. ‘‘A qualidade só vem com o muito saber’’, diz.
Para a empresária, a experiência com a cidade pé-vermelha sempre foi positiva. ‘‘Londrina é participativa e sabe receber. Tem um espírito pioneiro e não tem medo de encarar o novo’’, garante Cloris.
‘‘Quando morava na fazenda, sentia uma necessidade de sair de lá. Por isso, sei que devemos acreditar nos nossos sonhos, mesmo que sejam ousados’’, lembra. Para a empresária, que continua indo atrás do que quer, a sua missão hoje é ajudar os jovens a ganharem o mundo, oferecendo oportunidades, bolsas de estudo e muito incentivo.
Uma das histórias de Cloris inclui um jovem de Cascavel, vencedor de um festival organizado por ela e que hoje é tenor no Rio de Janeiro. ‘‘Algumas possibilidades modificam a vida’’, filosofa. ‘‘A minha gota eu estou fazendo’’, diz.
No Paraná e Santa Catarina, a empresária é responsável pela organização de festivais de música de câmara, dança e cinema. ‘‘Eu me especializei em festivais’’, conta Cloris, que em outubro estará no Chile, no comando de um festival de música.

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