Se você ainda não conhece Nuno Papp é só lançar um olhar atento por Curitiba. Ele é responsável pelas fotos mais bacanas quando o assunto é moda na cidade. Imagens clicadas por ele ilustram os outdoors e imobiliários urbanos de campanhas criativas das agências mais importantes da cidade, feitas para shoppings e grifes paranaenses e nacionais. Como ele começou esse périplo de imagens tentadoras? A relação com as lentes iniciou quando o fotógrafo nascido em Brasília, mas radicado em Curitiba desde criança, optou pelo curso de jornalismo.
''Eu nunca fui bom com palavras, mas sempre gostei de imagens'', brinca o fotógrafo, que logo trocou o curso de jornalismo pelo de publicidade. Na época de estudante universitário, focou seu destino no cinema, que achava, seria seu futuro. ''O cinema alemão sempre me impressionou. Gosto do Wim Wenders, do Fassbinder, cineastas que acabaram me influenciando'', revela. Foi quando ainda estava na faculdade que decidiu passar seis meses na Alemanha, estudando cinema. Mas questões como custo e agilidade fizeram com que o rapaz migrasse para a fotografia.
Já com essa nova versão de como captar uma imagem e transformar sentimentos em algo visível, Nuno foi para Holanda onde estudou a arte de fotografar durante quatro meses. De volta ao Brasil, ainda tentou voltar ao cinema. ''Mas vi que a fotografia era o caminho, justamente pelo resultado ser mais rápido''. Os cliques começaram modestos. ''Todo mundo tem que começar de algum jeito. Eu comecei fazendo fotos de aniversários, festas. E vi que o que gostava mesmo era de fotografar gente''. Daí para as fotos de moda foi um pulo. Logo foi chamado para fazer um catálogo da grife Maria Bonita, trabalho que iria inaugurar o seu extenso currículo na área de moda.
Características como perfeccionismo e ousadia, demonstrado nas imagens de Nuno, começaram a chamar a atenção das revistas especializadas. Foi assim que, a partir da década de 90, ele tornou seu nome obrigatório quando o tema é imagem criativa de moda. ''Para fotografar pessoas, você precisa interagir com elas. Saber como está o humor, se você tem que provocar o riso ou a raiva e principalmente, como provocar esses sentimentos. Por isso, cada campanha ou catálogo são muito diferentes uns dos outros'', ensina.
Mas ao ver uma imagem bacana e bem produzida, pouca gente se dá conta do trabalho, tempo e disposição que a produção exige. O fotógrafo conta que uma única produção pode levar até dois dias para ficar pronta. Ou até mais. E ele salienta: fotografia de moda, de pessoas, é um trabalho de equipe. E a dificuldade é justamente montar uma boa equipe''.
Nuno tem na sua lista de pessoas fotografadas, vários nomes de gente famosa, como Carolina Ferraz, a atriz curitibana Guta Stresser (a Bebel da série A Grande Família), o músico Otto e dezenas de outras, mas ele revela que a dificuldade maior não é clicar celebridades, mas atender as exigências do séquito que geralmente acompanha modelos e atrizes famosas. ''Às vezes é muita pressão'', conta.
Principalmente porque o fotógrafo também tem algumas particularidades, que nem sempre são bem compreendidas antes do resultado final. ''Eu gosto de fazer minha própria luz. Mesmo ao ar livre 'apago' o sol e crio uma iluminação própria''. Luz que já virou marca registrada de Nuno, pela qualidade técnica aliada a muita sensibilidade.
E para conquistar serenidade, paciência e referência, trio indispensável para o trabalho do fotógrafo, ele tem alguns segredinhos. Um deles, bem pessoal, é morar longe da cidade e manter uma vida bastante saudável. Há seis anos, Nuno mudou com a mulher, também publicitária, para uma chácara em Almirante Tamandaré. Lá, longe de computador, sem celular e com o tempo necessário para brincar com o filho de quatro anos, reabastece as energias para o trabalho árduo, mas gratificante. ''Até pouco tempo nem telefone pegava lá, mas isso não atrapalha meu trabalho, se alguém quiser me encontrar vai conseguir'', diz o fotógrafo, que mantém um estúdio em Curitiba.
O outro ''segredinho'' é viajar pelo menos uma vez por ano para fora do País, em busca de referências para o seu trabalho. O detalhe é que essas viagens poucas vezes são acompanhadas por seu equipamento profissional. ''Tudo o que eu faço é direcionar meu olhar. E eu não posso descartar nada. Tudo o que olho vai servir de referência para eu transformar a ficção em realidade depois'', analisa. Nessas andanças, Nuno já viajou pelo Marrocos, Grécia, Espanha, Cuba, França e Nova York. E já está com passagem marcada para, em janeiro, viajar para Tóquio. ''O que mais gosto durante essas viagens é ver as pessoas. A realidade me abre caminho para que eu possa fazer bem o meu trabalho''. E ele faz.

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