Idéia genial
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de setembro de 2001
Ana Clara Garmendia<br> De Curitiba 
Poesia com música, com fotografia, com batata e com muita gente, quem aposta no sucesso de um lugar pequeno com todos estes ingredientes? O porto-alegrense Beto Amorim, idade não anunciada, apostou nesta fórmula e hoje é um dos principais nomes da gastronomia e do entretenimento curitibano. Dono do famoso Beto Batata, Amorim virou febre na Capital e também uma referência por ser o inventor das batatas rosti recheadas .
Não é de hoje a sua convivência com cheiros, sabores e misturas. O pai de Beto era Pedro Amorim, um cozinheiro de mão cheia que, durante anos, trabalhou em lugares chiques e requintados como o Ile de France . ''Sempre acompanhei o meu pai, daí vem meu interesse pela cozinha.'' Aos 14 anos, Beto já ensaiava suas primeiras incursões culinárias e de lá para cá, não parou mais. A vida meio nômade dele fez com que trabalhasse em diversos lugares no Brasil; os mais importantes foram no Rio de Janeiro. ''Lá, tive a oportunidade de conviver com gente muito boa. Grandes criadores culinários. Era uma verdadeira escola'', diz. Nomes como José Hugo Celidonio, Claude Troigros, Laurent Sudeau, Silvana Blanchi e a principal estimuladora, Gardênia Garcia vêm à mente de Beto e se confundem com a emoção e o orgulho de quem já vivenciou experiências riquíssimas.
Mas como Beto chegou na tão famosa batata recheada? Tudo começou em São Pedro da Aldeia, litoral fluminense, onde Beto tinha um restaurante em que era servida uma batata rosti. ''Era um acompanhamento e a grande sacada foi transformá-la num prato principal'', explica.
Esse prato principal virou um diferencial na vida do empresário que, ao voltar para Curitiba dessa temporada no Rio, começou a implantar o prato em alguns bares conhecidos da cidade. O primeiro foi o Caffé Giuseppe, depois veio o Bar 21, um verdadeiro point de jornalistas, publicitários, arquitetos, músicos e artistas da cidade no início dos anos 90.
Foram anos de consultoria até Beto virar Beto Batata. A pequena casa de madeira (que era um armazém antigamente) primeiro virou o lar de Beto, hoje é da cidade. ''O Beto Batata é de todo mundo que chega. Me sinto como um catalisador do sentimento de cada um que vem aqui. O meu objetivo é fazer daqui uma casa, por isso não tem portas, para todos se sentirem bem-vindos.''
As idéias e sentimentos agregadores de Beto fizeram do bar e restaurante um centro cultural. Com biblioteca e exposições temporárias de artistas da cidade, o empresário conseguiu fazer de um pequeno lugar, um ponto de encontro onde as pessoas se sentem em casa. Lá, é possível encontrar todos os dias os mesmos personagens que, de alguma forma, estão inseridos na produção intelectual da cidade. São músicos, poetas, fotógrafos, produtores, atores, enfim uma infinidade de gente que busca o aconchego do ''lar'' de Beto para se alimentar com as deliciosas batatas e também para se abastecer com o astral artístico que paira sobre um ambiente que não tem paredes, mas tem uma estrutura sólida, difícil de ser dissolvida, e que deve entrar para a história da cidade.


