Humor levado a sério
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O curitibano Diogo Portugal já era um cara engraçado antes de decidir levar o humor a sério. Mas muito antes de ser reconhecido como uma das grandes promessas do humor brasileiro, ele acreditava que nunca iria conseguir encarar uma platéia. Encarou. E hoje arrebata milhares de fãs. Está com temporada prevista nos Estados Unidos e Japão e continua participando dos principais programas da televisão brasileira. Esquetes do humoristas já foram apresentadas no Fantástico, Programa do Jô, Faustão, Hebe, Pânico na TV, só para citar alguns.
A trajetória profissional do rapaz começou na década de 90, quando ele cursava administração de empresas. Na época, era o ''cara que contava piadas'', o tipo engraçado do grupo, mas nem de longe sonhava em mudar assim tão drasticamente de profissão. Portugal terminou a faculdade em um período em que os amigos já o convidavam para fazer seus ''personagens'' nas festas. Era quase uma obrigação. ''De tanto as pessoas falarem, você acha que pode ser real'', conta, referindo-se à decisão de participar de um concurso nacional de humor.
Ele gravou uma fita caseira com algumas imitações que fazia na época e que até hoje fazem parte do seu repertório. Mandou o material para o Primeiro Prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro, de 1996. Foi finalista ao lado de feras como a comediante Claudia Rodrigues (do programa A Diarista). De lá para cá, a projeção de Portugal começou e alguns de seus personagens passaram a ganhar fama. Como o 'consertador' de máquinas de lavar que utiliza jargões como ''efeito colesterol'' e outras pérolas.
Portugal nunca fez um curso de teatro, mas a experiência como administrador lhe deu um diferencial no meio artístico. Ele próprio começou, por meio da empresa de áudio que montou na época da faculdade, a vender os seus shows. ''Foi um processo lento'', conta. Como quando foi, ''de porta em porta'', vender seus espetáculos em São Paulo. Começou a participar do hoje famoso programa Terça Insana. Revela, por exemplo, que por lá era só ''o garoto de Curitiba'' e ganhava um cachê mínimo. ''Às vezes, eu tinha que ficar de terça a sexta lá e nem tinha grana pra bancar hospedagem'', lembra sobre os ''duros'' tempos.
A experiência serviu também para ele ir aprimorando as suas apresentações, já que subia no palco ao lado de profissionais competentes. ''Fui aprendendo a conviver com a platéia. As vezes é difícil. A indiferença é pior do que a vaia'', analisa. Além disso, ele criou por aqui iniciativa semelhante, reunindo as feras do humor curitibano toda terça-feira. Foi o que contribuiu para projetar Curitiba no cenário nacional de comédia.
A visão empresarial do humorista rendeu e rende muitos frutos. Ele é criador e curador do Risorama, maior festival humorístico da América Latina, que acontece todos os anos durante o Festival de Teatro de Curitiba, por exemplo. Recentemente, lançou nacionalmente pela editora Nossa Cultura o audiolivro ''Clube da Comédia Stand-Up'', o primeiro CD de humor no estilo Stand-Up Comedy no Brasil. Os planos futuros, aliás, são intensificar ainda mais as apresentações em Curitiba e no resto do País, além de turnês no exterior. ''A vida é baseada nos pequenos sucessos que você tem'', conclui o humorista. E ele já está colecionando bem-sucedidas experiências.


