Humor indisfarçável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Rodrigo Teixeira<BR>TV Press 
Bel Kutner é franca e direta. Em alguns minutos de conversa, também é impossível não notar o bom humor desta gaúcha de 31 anos. A atriz de olhos grandes e boca carnuda vai logo avisando que se surpreendeu com o fato de sua personagem Lulu Machadão acabar presa na reta final de ''Um Anjo Caiu do Céu''. Na verdade, a personagem foi quem convenceu Paulinho a deixar Londres e vir para o Brasil com a identidade falsa do costureiro Telmo de Windsor, vivido por Daniel Dantas. ''Geralmente os mentores não vão para a cadeia, só quem executa'', brinca a sorridente Bel. O que mais chamou a atenção da atriz para a personagem criada por Antônio Calmon é que Lulu não se acomoda diante dos problemas e luta por seus objetivos.
Com isso, a atriz não se preocupou se interpretava a personagem como mocinha ou vilã. ''O legal é que a Lulu não é nem má nem santa. Isso abre mais possibilidades de interpretação'', vibra Bel. No entanto, ela não arrisca prever como será o final de Lulu na trama da novela das sete. O importante para a atriz é que sua personagem não perca o estilo cômico que a fez tanto se divertir durante as gravações. Aliás, Bel garante que o clima dos bastidores da novela é uma festa. Um dos colegas de elenco que mais a faz dar risada é José Wilker, que vive o esperto Tarso. ''Imaginava o Wilker um cara supersério e intelectual, mas fora de cena ele é um palhaço. Não vale o sal que come'', diverte-se Bel.
A atriz teve a oportunidade também de contracenar pela primeira vez em novelas com o pai, o ator Paulo José, que viveu o esquisito Alceu. Os dois já haviam feito ''Vamp'', mas não chegaram a contracenar. Bel deixa claro que mesmo na pele dos respectivos personagens, ela não esquece que está contracenando com o próprio pai. ''Dou umas piscadelas para ele e digo papai baixinho para as pessoas não notarem'', diverte-se a atriz. Também filha da atriz Dina Sfat, falecida nos anos 80, Bel assume que ser filha de atores reconhecidos ajuda na condução de sua carreira. ''Mas não tem pistolão que dure para sempre. Tenho de mostrar serviço também'', afirma a atriz, que não se acha parecida com a mãe. ''Agora estou mais, porque pintei o cabelo de preto'', ressalta.
Contratada por trabalho pela Globo, Bel deve se dedicar ao teatro após o final das gravações de ''Um Anjo Caiu do Céu''. A atriz garante que prefere alternar teatro e televisão para não se cansar e também não saturar o público. Aliás, Bel critica a postura de alguns atores que só esperam por convites para novela e não buscam se reciclar em outras áreas, como teatro e cinema. Bel fica ainda mais indignada quando escuta alguns colegas falarem mal da Globo por nem sempre conseguirem papéis em produções da casa. ''Só um entre não sei quantos mil é chamado para emendar novelas. O ator, se quiser crescer, tem de buscar alternativas e não depender só da televisão'', acredita a atriz.
Apesar de já ter participado de quatro novelas ''Vamp'', ''Olho no Olho'', ''Razão de Viver'' e ''Anjo Mau'' , Bel confessa que chega no final das produções completamente exausta. Por isso, ela garante que nunca teve vontade de fazer heroínas românticas em novelas, pois é o tipo de personagem que passa a maioria do tempo sofrendo e sendo maltratada pelos outros. ''Não dá para passar oito meses chorando. É melhor as antagonistas, que fazem os outros sofrerem ou papéis cômicos mesmo'', enumera a atriz.
Bel também não é do tipo que glamouriza a profissão de ator. Ela, por exemplo, tenta ficar longe dos ''burburinhos'' artísticos e não fala de sua vida pessoal. A atriz também perde o humor quando escuta que a vida de ator é uma moleza e que todos enchem o bolso de dinheiro. ''É uma grande mentira achar que o ator está rico por estar com a cara em revistas. Tem gente que faz foto deitada em sofá de não sei quantos mil reais, mas pegou emprestado no shopping. É uma pagação de mico'', critica Bel.


