Uma homenagem aos 50 anos da grife francesa Givenchy feita por alunas do 3º módulo do Curso de Estilismo e Confecção do Senai, em Curitiba, acaba de ganhar status nacional. As alunas do estilista e professor Silmar Alves nem poderiam imaginar que uma exposição, montada para homenagear as criações das décadas de 50 e 60 da Givenchy no Crystal Fashion, realizado no mês passado, acabaria por virar a mostra oficial brasileira comemorativa ao aniversário de uma das principais maisons da alta costura francesa.
‘‘A mostra foi uma idéia nossa em parceria com a Lafayette Perfumes, representante dos cosméticos Givenchy no Paraná. Pensamos em fazer alguma coisa que explicasse visualmente o moulage (técnica de modelagem francesa feita em mourim num manequim próprio usada no mundo todo e que faz com que as roupas ganhem um caimento considerado perfeito pelos estilistas) e pegamos como exemplo a campanha do perfume Hot Couture#, explica Alves.
O resultado foram oito releituras de looks importantes para a história da grife. Todos com toques de modernidade, mas que mostraram um áureo tempo em que a principal modelo era Bettina. Musa inspiradora da maison e considerada uma das percursoras da era das top models. Esquisita, a belga inspirou tanto as criações dos franceses que até hoje falam em mangas Bettina, os especialistas sabem o estilo que significa.
Para quem não sabe, a grife Givenchy foi a criadora da concepção de conjuntos. Lançou as combinações que viriam a substituir os vestidos, até então peças-chave dos guarda-roupas das mulheres daquela época. Para criar as peças que acabaram por seduzir os representantes da Givenchy no Brasil e consequentemente os franceses, Silmar induziu suas alunas a prestarem atenção em filmes como o clássico ‘‘Uma cinderela em Paris’’, estrelado por Audrey Hepburn. Daí surgiram as peças todas feitas com base nas técnicas de moulage aprendidas ao longo de anos de carreira de Silmar Alves. ‘‘Busquei técnicas que aperfeiçoassem a original francesa. Aprendi algumas versões como a americana chamada drapping. No Brasil quem usa muito estas técnicas é a M.Oficcer’’, explica orgulhoso o professor estilista.
Feitas às pressas para poderem entrar em exposição durante o principal evento de moda do Sul do Brasil, as roupas acabaram por encantar a todos. Agora, devem seguir em mostra itinerante como exemplo perfeito do estilo ‘‘Givenchy’’. Para as alunas que começaram a se familiarizar há bem pouco tempo com a técnica tradicional da grife e que acabaram por confeccionar as peças em pouco mais de 12 horas de trabalho, a escolha da mostra como oficial no Brasil foi uma surpresa. ‘‘Temos orgulho do que fizemos’’, dizem em coro as alunas que jamais pensaram ver seus trabalhos ingênuos com tamanho destaque. Para o professor também foi uma surpresa, já que o entrosamento sempre é uma coisa difícil, principalmente no meio de quem gosta de moda. ‘‘Acredito que a moda está sempre influenciando as minhas alunas, mesmo que elas não tenham a exata noção de como isto acontece’’.
Bem, que a moda exerce sua influência sobre tudo, não só nas roupas, mas na música e que ela é como um espiral, não há dúvidas. O que é legal mesmo é ver o quanto são importantes iniciativas como a das alunas do Senai. Até bem pouco, eram apenas mulheres empolgadas com a possibilidade de ver seus trabalhos expostos num evento de alcance estadual. Agora, dão um pulo nacional e se tudo correr bem, quem sabe alguma delas, algum dia, poderá realizar algum feito com alcance mundial. Tudo é possível quando a criatividade está no ar. E ela está.

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