Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), é no cinema que Fernando Honesko, natural de Arapongas, tem se destacado e recebido vários prêmios com seus trabalhos dos últimos anos. Caçula de uma família de dois irmãos - fruto da união de pai mais velho criado em uma colônia de ucranianos em Santa Catarina e mãe da cidade natal - o menino, que um dia já pensou em ser arqueólogo e meteorologista, colhe os frutos da sétima arte como a recém-conquista do Kikito no Festival de Gramado e o prêmio Porta Curtas do Festival do Rio de Janeiro, ambos em 2012.
Como qualquer garoto de cidade pequena de interior, atualmente com 28 anos e residindo em São Paulo, Honesko teve uma infância tranquila no Paraná. Apesar do perfil mais comportado, o menino que estudou em escola de freiras até o início da adolescência confessa ter assinado algumas vezes o famoso ''livro preto'' das irmãs.
Foi nessa época, inclusive, que se interessou mais por línguas estrangeiras, e começou a escrever cartas para pessoas de outros paíse. ''Não havia internet ainda, mas existia um serviço de um Centro de Intercâmbio Cultural, onde comprávamos endereços de contatos cadastrados. As primeiras cartas foram para meninas da Romênia, Islândia, Bielorrússia e Itália com as quais conversava sobre o estilo de vida aqui e lá'', lembra ele, que possui as cartas guardadas até hoje. Anos depois, fez novos amigos, como uma mulher do Alasca, que lhe mandava salmão defumado. ''Nem sabia quanto custava'', ri.
Terminado o ensino médio, começou a estudar em Londrina, quando saía às cinco horas da manhã para pegar a estrada. Foi somente no último ano do colégio que mudou-se para morar com os irmãos e se preparar para o vestibular. A vida numa cidade maior abriu novas perspectivas e conhecimentos; um deles, o gosto por filmes do cinema europeu, que assistia por influência do irmão. O jeito curioso, entretanto, o fazia pensar em várias possibilidades, mas deixava dúvidas sobre qual profissão escolher.
Foi na fila de inscrição para o vestibular, porém, que optou por jornalismo, o curso disponível que mais se aproximava do mundo audiovisual. Aprovado no primeiro teste, com apenas 17 anos, ele revela que se identificava apenas com as disciplinas que tinham alguma proximidade com sua aptidão. ''Nas aulas práticas como de rádio, adorava criar vinhetas ou algo com linguagem acústica. A fotografia também me encantava. Nas aulas teóricas, disciplinas voltadas à cultura e teoria da comunicação eram as que me chamavam atenção'', pontua, acrescentando que estudou História Medieval e Latim nas matérias eletivas.
Como não tinha a pretensão de trabalhar em veículos de comunicação, se dedicava a projetos paralelos, como a participação em uma oficina de Curtas Super 8, promovida pela Mostra de Cinema de Londrina. ''Trabalhei como assistente de direção de arte, que define a composição do cenário.'' Oportunidade que o colocou em contato com um set de filmagem pela primeira vez. ''Gostei muito do processo e vi que, realmente, era esse o universo que queria estar.'' Começava, então, sua procura por uma bolsa de estudo nesta área no exterior.
Dez meses após o término da faculdade, conseguiu uma vaga para um mestrado em Produção e Idealização em Audiovisual, na cidade de Milão, na Itália. ''Era um curso voltado para documentário e não ficção'', explica Honesko. Lá, pôde conhecer várias áreas, desde montagem de câmera a direção. E, como trabalho de conclusão, produziu com mais duas colegas o documentário ''O Sabor de Maio'', ''filme que se passa na Toscana e fala sobre uma flor que nasce na primavera e possui um néctar chamado Maio''.
O cinema
De volta ao Brasil, depois de uma rápida passagem por uma agência de vídeos interativos na internet, em Londres, fixou residência na capital paulista. ''Não conhecia ninguém na área, pois todos os meus amigos atuavam como jornalistas. Tive de abrir o caminho sozinho.'' Para isso, buscou na internet todos os endereços de e-mail relacionados com audiovisual. ''Mandei 180 e-mails. Vinte responderam e cinco marcaram entrevista'', pontua. Um deles, de uma produtora, na qual realizou a montagem do projeto de um documentário sobre o Joãosinho 30, parado por cinco anos.
A partir daí, mais oportunidades apareceram, como passar meses acompanhando os shows do cantor Nando Reis, para produzir conteúdo de mídia digital. Logo em seguida, um dos mais marcantes momentos: o convite do diretor Marcelo Machado, para trabalhar como assistente de direção do filme Tropicália, documentário sobre o movimento cultural e musical das décadas de 1960 e 1970, produzido por Fernando Meirelles. ''O trabalho como montador me ajudou nessa fase, porque queríamos contar a história sem muitas entrevistas.''
Cada vez mais certo do que queria, deu um passo maior e inscreveu um roteiro próprio num projeto para conseguir recursos. ''O curta Funeral à Cigana é uma ficção filmada com atores ciganos de verdade'', resume Honesko, que também assina a direção. Em apenas seis meses, o curta já participou de 20 festivais em todo o Brasil, tendo sido premiado em Gramado e no Rio de Janeiro. O filme também recebeu o prêmio de melhor curta na última Mostra de Cinema de Londrina, pelo júri popular.
Em junho deste ano, Honesko deu início à montagem de uma ficcção, também sobre o Joãosinho 30, que deve ter duas horas de duração. Certo, porém, de que ainda tem um longo caminho pela frente, começa a dar vida a outros projetos. Dessa vez, um longa-metragem próprio, que já está escrito. Se a arte imita a vida, este trabalho pode ter tido influência, pois fala sobre uma pequena comunidade ucraniana no estado do Paraná. ''Ainda estou em processo de angariar recursos para, então, colocar em prática'', adianta o jovem de Arapongas.

mockup