HERÓIS DA RESISTÊNCIA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2001
Magda Carvalho<br>De Foz do Iguaçu 
Nem só de crises vive a Universidade do Oeste do Estado (Unioeste). Em meio a um vendaval de acontecimentos desastrosos, que vão do afastamento da reitora Liana Fuga ao protesto de estudantes contra o descaso do Governo do Estado para com a instituição, surge a vontade de mostrar que a Unioeste produz outros frutos. É o caso do grupo teatral Teatro Universitário Foz do Iguaçu, o Tufi, que surgiu há três meses e deu fôlego novo ao marasmo que vinha acompanhando a vida dos acadêmicos.
''Estamos em busca de nossa identidade cultural'', diz a estudante do 2º ano do curso de Turismo Michele Tolentino, 21 anos. Ela, que atua como produtora do grupo, não vê um remédio melhor para a falta de ânimo do que a arte, mesmo porque a liberdade de expressão facilita a abertura de novos caminhos. Prova de que já estava na hora de sacudir a rotina no campus de Foz do Iguaçu foi a procura para participar do grupo, que surgiu da iniciativa de quatro estudantes. ''Nós nos surpreendemos com a procura, principalmente por verificar de que cursos vinham os interessados: do curso de Letras ao curso de Engenharia Elétrica, onde a predominância é masculina'', diz Michele.
Após uma seleção natural, o Tufi conta hoje com 11 integrantes. Para se manter unido, o grupo vai comportando como pode a agenda. A maior dificuldade em manter os grupos de teatro nas universidades continua sendo conciliar tempo de estudo com os ensaios. A primeira tentativa do campus de Foz do Iguaçu de montar um grupo de teatro não vingou justamente porque os estudantes que integravam o elenco não conseguiram manter o ritmo dos ensaios. ''Hoje nós percebemos que esse é um problema pelo qual todos os grupos passam''.
A primeira prova de resistência foram os ensaios da peça ''Um Gesto por Outro'', do francês Jean de Tardieu, que normalmente aconteciam no período da noite. A ela seguiram-se outros desafios, como a falta de apoio financeiro para a montagem da peça. Para Michele e os outros integrantes do grupo, o sacrifício vale a pena porque, além da descoberta de um novo prazer, eles sabem que estão contribuindo para despertar o ''espírito universitário''. ''Além do teatro, queremos que surjam outras manifestações artísticas; os quatro anos de uma faculdade não podem se restringir aos ensinamentos de sala de aula''.
Quem já aprendeu essa lição foi o campus de Cascavel, que conta com um grupo de teatro consolidado. O grupo tem como diretor Neuri Mosmann, que coordena a criação dos demais grupos, o de Toledo e mais recentemente o de Foz do Iguaçu. O elenco do Tufi é formado por atores amadores, mas a pouca experiência de palco é compensada com a vontade de mostrar um trabalho sério que não se limita a divertir.
O grupo tem sido criterioso na escolha de textos. ''Queremos mostrar diversidade, mas é importante deixar também uma mensagem em nossas apresentações''. O texto escolhido para a estréia do grupo traz uma crítica ao comportamento da burguesia, em que se percebe a mecanização de gestos e atitudes. A escolha caiu como uma luva nesses tempos em que se discute qual o papel de cada um na sociedade.


