Herói de ocasião
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quinta-feira, 13 de setembro de 2001
Roberta Brasil<BR>TV Press 
Diante do convite do diretor Roberto Talma para integrar o elenco de ''A Padroeira'', Rodrigo Faro não titubeou: aceitou no ato. Mesmo sabendo que a novela de Walcyr Carrasco ia mal de audiência e sem ter idéia de como seria sua participação. ''Com tantas mudanças na novela, ninguém sabia exatamente o que eu faria na trama. A ordem era: ''Você entra e a gente vê o que acontece''', admite. O ator, porém, não teve motivos para se arrepender. Apesar da audiência ter subido pouco de 24 para 27 pontos após a reforma geral promovida por Talma, seu personagem, Faustino, conquistou um espaço inesperado. Há pouco mais de um mês no ar, o músico ganhou o coração da doce Izabel, vivida por Mariana Ximenes, e, com ela, o título oficioso de casal protagonista da novela. ''Não podia imaginar que o personagem cresceria tão rapidamente'', diz o ator, que considera difícil compor um tipo engraçado e romântico ao mesmo tempo. ''Mas queria muito fazer um herói'', assume.
O primeiro herói da carreira de Rodrigo Faro poderia ter sido o próprio Valentim, que acabou nas mãos de Luigi Baricelli. Rodrigo foi cogitado para viver o protagonista de ''A Padroeira'', mas já estava escalado para ''O Clone'', próxima novela das 20 horas da Globo. A reviravolta aconteceu porque o ator, de 27 anos, não convenceria como o filho adolescente dos personagens de Marcos Frota e Cissa Guimarães na trama de Gloria Perez. Dois dias após saber que estava fora da produção, veio o convite de Roberto Talma. Na pele de Faustino, Rodrigo Faro experimenta como é dar vida a um herói de folhetim. Seu personagem salva Izabel das armadilhas de Diogo, vivido por Murilo Rosa, e luta contra todos pelo amor da donzela. Mesmo assim, Rodrigo destaca que Faustino está longe de ser apenas um bom rapaz. ''Ele tem romantismo e humor também. Isso é um diferencial para meu trabalho de ator'', valoriza. De fato, o personagem protagoniza várias cenas cômicas com a espalhafatosa Dorotéia, interpretada por Susana Vieira.
Rodrigo teve pouco tempo para compor o personagem. Mas garante que Faustino não lhe exigiu muito estudo. ''Como ele é músico como eu, nem precisei fazer laboratório'', justifica o ator, que segue paralelamente com a carreira-solo de cantor. A vida artística começou cedo. Aos dez anos, já fazia teatro e aos 13, apresentava na Band o programa infantil ''ZY Bem Bom'', dirigido por Augusto César Vanucci. Entre 91 e 93, integrou o grupo Dominó, com o qual fez shows pelo Brasil e chegou a gravar um disco. Em 97, Rodrigo estreou nas novelas, como o Beraldo, de ''A Indomada'', escrita por Aguinaldo Silva.
Como Faustino, ele começa a experimentar o retorno do público, através da abordagem das pessoas na rua, que já torcem pelo romance dele com Izabel. ''Uma vez o Tony Ramos me disse que um ator sabe se o personagem vai bem a partir da terceira semana em que está no ar. Se for assim, acho que o Faustino já ganhou mesmo a simpatia do público'', empolga-se.
Ao ser chamado para viver Faustino, em ''A Padroeira'', uma das poucas certezas que Rodrigo Faro tinha sobre seu personagem era a de que ele seria um músico no núcleo cômico. No entanto, sua musicalidade permanece inexplorada até agora na trama. Não por falta de vontade do intérprete. Há dez anos, Rodrigo investe paralelamente na carreira de cantor. Entre 91 e 93, ele esteve nas paradas de sucesso com o grupo Dominó, uma versão tupiniquim de Os Menudos, que, nos anos 80, levavam hordas de adolescentes à histeria coletiva. Com o Dominó, Rodrigo chegou a gravar um disco e fazer shows por todo o país, mas não valoriza o feito. ''Foi uma passagem que eu tive pela música no grupo'', desconversa. A carreira voltou a deslanchar após uma participação no último CD de Angélica, quando a Sony o convidou para gravar um disco próprio.
Conciliar as agendas de ator e cantor não parece fácil. De segunda a sexta, Rodrigo grava ''A Padroeira''. Nos fins de semana, viaja fazendo shows. No avião e nos quartos de hotel, ainda encontra tempo para decorar texto. ''No início achava complicado, mas agora tiro de letra'', garante o ator-cantor, que admite ser um ''pouquinho ansioso''. Após essa entrevista, um Rodrigo Faro de respostas rápidas e articuladas já havia folheado uma pilha de revistas que estava à sua frente.


