Herchcovitch renova o clássico
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sábado, 03 de agosto de 2002
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba Ele está em todos os lugares reservados aos maiores nomes da moda brasileira, sejam eles na mídia nacional ou internacional. É ousado, perspicaz e ao mesmo tempo um poço de timidez. Alguns pensam que é antipatia. Esta é uma definição rápida e imprecisa do estilista Alexandre Herchcovitch, um nome que pulou das endiabradas edições do Mercado Mundo Mix para as principais revistas e jornais de moda do mundo.
Seja para retratar sua irreverência ou sua dedicação ao projeto que desenvolve há duas coleções com a tradicional grife paulista Cori, Herchcovitch sempre causa furor. Sua participação como diretor de criação de uma marca até então vinculada a imagens de senhoras criou um novo frescor para a marca. Agora, um dia antes da abertura oficial do São Paulo Fashion Week na Bienal de São Paulo, o estilista deu mais um passo para a ascensão da Cori através de seu estilo. Foi feito um desfile na Cinemateca paulista onde nomes de grandes tops internacionais como Ana Hickmann, Adriana Lima, Ana Bela, Michele Alves e Marcelle Bittar desfilaram. Mais uma vez os delírios do criador vanguardista agradaram.
Até mesmo quem já não se interessava pelas peças clássicas da Cori passou a ver com outros olhos as roupas da grife. ''Sempre gostei do Alexandre, mas achava que era muito vanguarda para mim. Agora com ele na direção de criação da Cori achei as peças maravilhosas. É o chique, clássico, só que vem com um grande ar de renovação'', conta a empresária Valéria Mello, assídua frequentadora de lojas em Curitiba e que acompanha a carreira de Herchcovitch.
Nas passarelas o que se viu foi uma coleção primavera verão inspirada na África. Uma moda colorida, com leves toques daquele país nas estampas e amarrações. Os jeans aparecem mais justos, para atender à proposta rejuvenescida da grife.
O conceito de oferecer às elegantes clientes sofisticados vestidos como peças-chave foi mantido. A novidade fica por conta dos materiais utilizados. Eles misturam seda com tela elástica de lingerie. Os tecidos fluidos também tomam conta. Herchcovitch quer referenciar os anos 50, com força também para os sapatos. Eles são essenciais na composição dos looks, assim como na coleção passada, quando o estilista criou excelentes modelos para combinar e dar um toque único às suas criações.
As principais cores da coleção do imprevisível Alexandre, que passou a época das caveiras para vestir a nata da sociedade brasileira? Bem, ele escolheu o preto, o amarelo, o vermelho, o azul-celeste e o verde-piscina para dar mais um passo em direção ao cume de sua carreira. Com o lançamento desta coleção, quase que paralela a de sua grife, Alexandre mostra mais uma vez por que veio para ocupar um lugar único na cena dos estilistas brasileiros.
O de um estilista que não se mantém fiel a nada, somente ao renovar eterno que todo criador tem que obedecer. Tanto no que mostrou nas coleções de sua grife no São Paulo Fashion Week quanto na aposta para a Cori, Alexandre prova que tem gás suficiente para se manter em alta. Aconteça o que acontecer a moda brasileira depois da passagem de Herchcovitch nunca mais será a mesma. Ele é referência e sempre será.


