Haja fôlego
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Karla Matida<br> De Londrina 
Asmática na infância e adolescência, Claudete Stabile Ribeiro Romaniszen só foi se curar na faculdade de fisioterapia. Desde então, não parou mais de pesquisar sobre os problemas respiratórios. ''Foi a minha experiência pessoal, que deu certo, que me fez ir para essa área'', conta.
Com especializações no Rio de Janeiro, São Paulo e Estados Unidos, Claudete é pioneira no assunto em Londrina, onde implantou a primeira clínica de fisioterapia respiratória da cidade, além das clínicas do Hospital do Câncer e extinto Hospital Londrina. Também foi a primeira fisioterapeuta da rede pública municipal (hoje são cinco) e trabalha no Pronto Atendimento Infantil - PAI.
Este ano, a convite do presidente da AMA, Luis Eduardo Cheida, chefiou o departamento de poluição atmosférica. Mas por questões burocráticas, após três meses, a fisioterapeuta precisou voltar para o PAI. ''Nesse pouco tempo nós criamos o conselho municipal do meio ambiente e também realizamos a 1ª conferência municipal do meio ambiente'', lembra.
Mas o afastamento da AMA não significou o final dos planos da fisioterapeuta. A partir de março do ano que vem, Claudete irá iniciar o mapeamento da poluição atmosférica da cidade e a relação com as doenças respiratórias. Outro passo da pesquisa será estudar a influência do clima na saúde. Para o trabalho e as pesquisas, a fisioterapeuta terá a colaboração do departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina e da AMA, com os quais já acertou uma parceria.
O projeto tem um prazo de dois anos para ser concluído. ''Espero com isso diminuir o sofrimento das famílias'', explica Claudete, que se diz ''otimista, mas insatisfeita e procurando soluções''. Um bom começo, segundo a fisioterapeuta, é entender que ''prevenção é a palavra-chave'', enfatiza. ''Plantar uma árvore melhora o clima em quatro a cinco graus'', afirma, mesmo sabendo que os benefícios não surjam ainda para essa geração.
Sobre a importância da conscientização da população, a fisioterapeuta lembra que as pessoas devem caminhar mais e andar menos de carro. ''É preciso levar as crianças para lugares arejados'', completa. De acordo com Claudete, em uma recente palestra em Londrina, o pediatra paulistano Alfezio Feres disse que o índice de problemas respiratórios nas crianças é maior que o de São Paulo. Surpreendente.


