Com as suas ginastas, ela conseguiu um feito inédito para o Brasil no Jogos Olímpicos de Sidney: estar entre as oito melhores equipes de ginástica rítmica desportiva do mundo. Mesmo assim, em um primeiro momento não ficou satisfeita. Aliás, ficou totalmente descontente. Tanto é que, lá do outro lado do mundo, deu entrevistas dizendo que estava abandonando o posto de técnica da seleção brasileira de GRD.
Do lado de cá, o susto foi grande ao ouvir as palavras da londrinense Bárbara Laffranchi, que desapontada com o preconceito dos juízes, realmente pensou na hipótese de desistir da sua ‘‘paixão’’, como ela mesmo diz. Mas isso passou (ufa!) e Bárbara já pensa na próxima Olimpíada.
Segundo a técnica da seleção, antes o Brasil ficava sempre em último lugar nos torneios mundiais. ‘‘Mas isso foi mudando, e depois dos Jogos de Sidney, mudou a forma de as pessoas olharem para a nossa seleção’’, explica.
Ginasta desde os oito anos, Barbara precisou parar de treinar aos 17 anos, por causa de um problema no joelho. Foi quando passou a comandar os treinos. Há dez anos, ela é a técnica da seleção brasileira, que treina em Londrina e no ano passado conquistou a medalha de ouro nos Jogos Panamericanos.
‘‘O carinho da platéia lá em Sidney foi melhor do que qualquer medalha’’, explica Bárbara, que também recebeu e-mails solidários ainda lá na Austrália. ‘‘Foram 78 e-mails, além de uma carta de quatro páginas de duas meninas de Cascavel que queriam treinar comigo’’, conta.
De olho nas próximas competições, a técnica já pensa na equipe principal, que vai ser reformulada a partir de janeiro. Por enquanto, a seleção está em férias. Férias? ‘‘Eu só fico uma semana longe, depois quero voltar’’, avisa Bárbara, que além de técnica de GRD, também é vice-chanceler da Unopar, universidade pertencente à família.
Formada em Administração de Empresas e Educação Física, Bárbara também já foi diretora da TV Mix (canal de tv a cabo). ‘‘Montei a grade de programação da emissora, criei programas’’, lembra Bárbara, que deixou a televisão em junho para se dedicar totalmente aos treinos da GRD. Além das oito horas diárias de treinamento, ela ‘‘deitava pensando na GRD, sonhava com os treinos e acordava pensando na GRD’’, conta.
Como conciliar os treinos com os trabalhos da vice-chancelaria? A receita ela aprendeu quando ainda era criança. ‘‘Minha mãe sempre foi a minha técnica, então eu aprendi desde cedo a separar a mãe da técnica. É o que eu faço hoje, sei separar bem os assuntos’’, diz. ‘‘Mas eu gostaria de ter mais tempo pra mim’’, explica Bárbara, que se divide entre os assuntos profissionais e a filha de oito anos.
‘‘Nos finais de semana gosto de ir cavalgar, já que não tem muita graça sair à noite sozinha’’, conta a técnica, que está solteiríssima no momento.

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