"Sou desafiada todo mês a fazer uma boa revista", conta a jornalista londrinense Adriana Bechara, diretora de moda da Glamour desde a chegada do título ao Brasil, quatro anos atrás. De acordo com números do IVC (Instituto Verificador de Comunicação), a publicação da editora Globo Condé Nast é a revista feminina que mais vende em bancas no País. "Eu fico orgulhosa. Ou bem ou mal, são só quatro anos e eu espero que sejam muito mais. Mesmo com a crise que estamos vivendo, temos esse sucesso", conta.

"A cara da Glamour é um pouco eu que fiz. Com respeito à editora e à Mônica (Salgado, diretora de redação), sinto que a revista é um pouco minha", confessa. "Não é teen, mas é jovem, arrojada. Isso me estimulou a fazer muita coisa que eu não podia fazer na Vogue", lembra Adriana sobre seu trabalho anterior.

Nascida em Londrina, Adriana morou na cidade por duas vezes, além de ter passado temporadas em Curitiba e Rio de Janeiro, onde deu início à carreira de jornalista de moda. Radicada em São Paulo desde 2005, ela ainda mantém um charmoso sotaque carioca. "Quando me mudei para o Rio pela primeira vez, em 1977, não conseguia fazer nenhum amiguinho com meu 'porta', 'quarto'", diverte-se, puxando os erres característicos do Norte do Paraná. "Eu tive que aprender a falar como eles e acabou ficando."

"Eu nunca me senti carioca. Em São Paulo, você é do mundo, gosto disso. Acho que pelo fato de ter ficado pulando de um lugar para o outro, onde me sinto bem mesmo é em São Paulo. Senti isso no dia em que me mudei para cá", conta Adriana, que conversou com a reportagem da FOLHA entre um desfile e outro da São Paulo Fashion Week, em abril. "Amo Londrina, não moraria em Curitiba, mas moraria em Londrina de novo. Gosto daquele cheiro de café quando desço do avião, do jeito que os londrinenses são", entrega.

"Minha mãe fez o Rio Fashion, a primeira coisa de calendário de moda do Brasil nos anos 1980. Ela era um misto de relações públicas e assessora, além de trabalhar em hotelaria também. Fazia um clipping caseiro, então comprava todas as revistas. Aquilo me fascinava. Com uns 10 anos, passava as minhas férias lendo todas as revistas de moda. Lia Interview e Moda Brasil, me lembro bem. Então a minha memória não é exatamente a da minha idade", explica.

"Nunca tive dúvidas que trabalharia com moda. Aí fui trabalhar em loja, ser vendedora na Arranha Gato. A Eloysa Simão era assessora de imprensa e eu pedi um estágio, já estava fazendo Jornalismo. Um dia ela me pediu para escrever um release e eu senti que era o grande desafio da minha vida. Passei a noite escrevendo. 'Foi você mesmo que escreveu isso? Está muito bom, viu?!' ela me disse. Daí me pediu para fazer os 40 releases da 1ª Semana de Estilo Leslie (embrião do Fashion Rio). Achava o máximo sair de Ipanema e ir até São Cristóvão de ônibus para entrevistar a Jacqueline de Biase, da Salinas. Tenho uma lembrança muito boa disso tudo."

Além de ter trabalhado com Eloysa Simão, Adriana também tem no currículo passagem pela Elle, na época sob comando de Regina Guerreiro. "Vi então que não sabia nada de moda e fui me preparar, trabalhar como stylist, fazer campanhas. Consegui conhecer o mercado", lembra. Em jornais impressos, passou pelo O Dia e Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro. A mudança para São Paulo foi para trabalhar na revista Quem.

"O ápice da minha carreira foi saber que meu trabalho estava sendo reconhecido", lembra a jornalista, quando foi elogiada por Patricia Carta, editora da Vogue. "Ela disse que eu estava fazendo um trabalho admirável na Quem." "Sou jornalista, mas preciso fazer imagem", avisa. "Me excita muito mais acordar às 2 da manhã para ir à uma sessão de fotos em Holambra e voltar às 3 da tarde para casa do que ficar com uma matéria na cabeça para escrever. Eu sabia que poderia ir muito mais longe se eu pudesse escrever e fazer imagem", explica Adriana.

Com 44 anos recém-completados, Adriana foi mãe pela primeira vez aos 42. "Sempre fui muito focada na minha carreira e queria muito fazer o que eu faço. Se fosse ter filho antes, não seria legal nem para mim, nem para o filho. Ela nasceu no momento perfeito. Não quero, mas se tivesse que parar hoje, tenho certeza que consegui fazer muita coisa legal. Mas ainda tenho muita coisa para fazer ainda."

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