A Grécia sempre vai ter um lugar especial nas lembranças da ginasta londrinense Dayane Camillo. Foi em Atenas que ela se apresentou pela primeira vez em solo internacional. Tinha 13 anos e começava então uma série de viagens pelo mundo todo, ganhando prêmios e reconhecimento. Exatos 13 anos depois, a ginasta está com passagem marcada para pisar outra vez em solo grego. Nova emoção: será a despedida de Dayane das competições de ginástica rítmica (GR).
A aposentadoria de Dayane é uma dupla surpresa. Por um lado, ela é mesmo muito jovem para encerrar uma carreira. Por outro lado, é a longevidade que surpreende. ''É meio inédito porque, com o passar do tempo, o corpo perde a flexibilidade'', explica. Colegas da mesma idade já pararam há muito tempo.
Com duas medalhas de ouro conquistadas nos dois últimos Jogos Panamericanos, a londrinense segue para sua segunda participação olímpica. ''Um quinto lugar nas Olimpíadas já é uma medalha'', garante Dayane, que já não tem mais espaço no quarto para tantos troféus conquistados em 20 anos.
Quando ela tinha seis anos, sua mãe, formada em Educação Física, a matriculou numa aula de ginástica rítmica. ''Ela sabia que é muito importante para uma criança fazer esporte'', lembra a ginasta. Entre um exercício e outro muito bem realizados, foi só uma questão de tempo para ela integrar a seleção brasileira.
Apesar de ter sido uma decisão da mãe, Dayane conta que nunca quis parar com as aulas. ''Se fosse para fazer de novo eu faria'', afirma. Isso porque nem só de glórias vive uma ginasta dedicada como a londrinense. Os treinos diários são puxados oito horas em média e em épocas que antecedem competições, as folgas são coisas raras na agenda.
''Amadureci rápido, e desde os 14, 15 anos, quando passei a receber patrocínio, consigo me sustentar sozinha'', conta Dayane, que também é formada em Educação Física. ''Eu me formei no mesmo ano das Olimpíadas Sidney'', lembra a ginasta que precisou de muita compreensão dos professores, já que faltava muito às aulas.
Pelo menos quatro vezes por ano, Dayane e a seleção brasileira de GR fazem viagens internacionais para competir ao lado melhores do mundo. Com isso, acabou tendo que se acostumar com os flashes fora dos ginásios. Logo depois de ganhar a primeira medalha de ouro panamericana, Dayane e as colegas foram convidadas especialíssimas de um desfile da grife carioca Blue Man. Além disso, também tiveram seu momento televisivo quando apareceram num dos capítulos de Malhação.
E quando o assunto é televisão, os olhos de Dayane brilham ainda mais. ''Eu não gosto de ficar pensando no que vou fazer quando parar, mas gostaria de tentar a televisão'', entrega a ginasta. Ela não pensa em ser atriz e, sim, apresentadora esportiva. Dia desses, enquanto dava uma entrevista para o programa Esporte Total, o apresentador Jorge Kajuru ficou sabendo dos planos da londrinense e não pensou duas vezes em fazê-la chamar uma das matérias. ''Ele me elogiou depois'', conta Dayane, que até já andou sondando a possibilidade de um programa numa tevê local. Mas até agosto não deve pensar em outra coisa que não as novas coreografias e os treinos para as Olimpíadas.
Nos 20 anos de treinos, Dayane revela que acabou ganhando, além de reconhecimento, uma segunda mãe. A técnica Bárbara Laffranchi a acompanha há muitos anos e virou amiga e conselheira. ''Sempre digo pra ela que se estou aqui até hoje é porque você é minha técnica'', diz. Se Bárbara a inspira a ficar, Dayane também já virou exemplo para as novatas da seleção. ''Elas prestam atenção em tudo o que eu falo'', conta.
Outro ''troféu'' nada agradável conquistado nos anos de treinamento, é o problema no joelho que a faz chorar de dor quando os treinos se intensificam.''A cartilagem do meu joelho se desgastou'', explica. ''Mas eu nunca deixei de competir quando estava contundida. Aliás, parece que sempre antes de alguma competição importante eu tenho uma contusão'', diz. ''Treinei muito para aquilo e não vou deixar de ir'', garante. Ou seja, nada vai impedi-la de brilhar em Atenas novamente quando agosto chegar.

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