Galã fora dos padrões
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de setembro de 2001
Rodrigo Teixeira<br> TV Press 
Reynaldo Gianecchini está fugindo do rótulo de galã como o diabo da cruz. Por isso, o ator de 29 anos não titubeou em aceitar a proposta de Silvio de Abreu para participar da humorada ''As Filhas da Mãe''. Como não queria repetir o estilo do bom moço Edu, que marcou a sua estréia na televisão em ''Laços de Família'', o personagem criado pelo autor da novela parecia mais do que providencial. Ricardo Brandão é um famoso modelo que busca um verdadeiro amor. Até aí nada anormal, a não ser pelo fato de que ele, acostumado a sempre estar rodeado de mulheres maravilhosas, vai se interessar pela roliça Dagmar, papel de Cláudia Jimenez. ''Não queria me repetir, então achei ótimo formar um casal que foge dos moldes tradicionais'', explica Reynaldo.
O que o paulista de Birigui chama de ''fugir dos moldes tradicionais'' é que seu personagem vai se tornar protagonista de uma sitcom de sucesso e se sentir atraído por seu colega de cena. Percebendo que tem algo estranho, Ricardo só vai descobrir depois que este colega é Dagmar, que para conseguir o papel, se vestiu de homem. ''Não sou galã e sim um ator que quer provar os mais diferentes tipos de papéis'', ressalta, sem perder a aparente tranquilidade e o modo pausado de falar. Na verdade, o fato de contracenar com uma atriz que não se encaixa no padrão convencional de beleza é um alívio para Reynaldo neste momento de sua carreira. Isto porque o ator passou pela experiência de encarar a imprevisível Vera Fischer logo na sua estréia em ''Laços de Família'', o que rendeu rumores de que estavam namorando após um exagerado beijo - aparentemente nada ''técnico'' - em uma das cenas da novela. ''Essa história é passado. Bola para frente'', escapa.
Para Reynaldo, o fato de contracenar com Cláudia Jimenez também é uma possibilidade de aprender a fazer humor. A única experiência que ele havia tido na área da comédia foi uma participação no semanal ''Casseta & Planeta, Urgente!''. O ator inclusive assume que durante as gravações de ''As Filhas da Mãe'', mesmo quando não contracena com Cláudia, acompanha as cenas da atriz para ver como ela se comporta. ''Fico olhando e pensando: 'Caramba, ela é muito boa''', rasga a seda. Reynaldo garante que acha graça quando Cláudia fala que é um espetáculo contracenar com ele, porque ele ficou muito nervoso nas primeiras gravações com a atriz. ''Mas a Cláudia é muito generosa e me deixou bem a vontade. É uma delícia trabalhar com ela'', afirma.
Reynaldo garante também que ter participado da peça ''O Príncipe de Copacabana'', de Gerald Thomas, após ''Laços de Família'' foi fundamental para ganhar mais confiança para atuar em ''As Filhas da Mãe''. ''No teatro você tem que estar mais inteiro com o corpo e a voz. Isso me ajudou a me sentir mais solto em cena'', avalia o ator. Mas Reynaldo não esconde que realmente não foi nada fácil o convívio com o diretor, conhecido por seu gênio explosivo e idéias controversas. O método de trabalho de Gerald também foi difícil de ser assimilado pelo ator. ''O Gerald tem um estilo de deixar o ator inseguro e até desestruturado de certa forma. Tivemos muitas discussões'', confessa.
O ator acha que a experiência com Gerald ajudou a torná-lo mais ''cascudo'' e que ganhou mais autoconfiança. Com isso, Reynaldo passou a conviver melhor com as críticas e o assédio da mídia, comum no meio televisivo. O ator afirma que chegou a se abalar com as críticas que lia nos jornais, principalmente as que questionava a sua competência para estrear na televisão como protagonista de uma novela das oito da Globo. ''Hoje leio o que acho interessante e o que vai me acrescentar e deleto o resto'', revela, mas sem perder a sua aparente modéstia. ''Provavelmente vou errar nesta novela também. Mas é natural, pois estou aprendendo'', acredita.


