FLASH - AMAURY JÚNIOR
Um dos interlúdios amorosos mais notáveis de Roberto Carlos continua sendo com as flores. Vê-lo em casa diante de vasos conversando baixinho é cena comum para os que com ele convivem. Nunca escondeu de ninguém essa sua reserva de sensibilidade com a flora. O que conversam é segredo, mas o rei deve ter encontrado um canal de comunicação com Deus. Nunca ninguém deixou de respeitar esse seu vôo para as desconhecidas e elevadas regiões do espírito.
Mas num grande show do Maracanãzinho, no qual Luís Carlos Mieli dividia o palco e dirigia Roberto, as flores conseguiram atrapalhar a festa e, convenhamos, pintou um certo exagero. Uma das músicas era As Rosas não Falam, a famosa composição de Cartola. Chega Roberto no último ensaio, espetáculo caríssimo para a época, orquestra, coral, cenários: Bicho, essa música eu não canto. Quem disse que as rosas não falam? Acabei de levar um papo com elas ainda há pouco tempo. E essa história de o perfume que roubam de ti é outra mentira. Nós é que roubamos o perfume delas. Não vou ofendê-las. Não canto. E não cantou mesmo. Mieli foi obrigado a alterar todo o roteiro, modificar tudo na última hora.
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