Fina estampa
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de maio de 2004
Rosângela Vale<br>Reportagem Local 
Maria Solange Garcia de Araújo Moreira, 43 anos, descobriu, ainda menina, que a criatividade traçaria o seu caminho profissional. Nas roupas que a mãe fazia para vestir as cinco filhas e nas competições com as irmãs mais velhas para ver de quem era o desenho mais bonito a semente foi lançada. E não demorou a germinar.
Diante da ficha de inscrição para o vestibular, a opção mais óbvia, na época, parecia ser Arquitetura. Um desvio de percurso. ''Na arquitetura, a gente tem que lidar diretamente com as pessoas. Achei essa relação difícil. Para mim, é mais fácil criar sem interferências'', justifica. Com o diploma aposentado, Solange fez do hobby infantil a sua principal ocupação. Só que agora, ao invés do lápis de cor, ela usa tinta e pincéis; no lugar de papel, seda, lã, lona e couro. O título de artista plástica, entretanto, é rejeitado por ela, já que a independência criativa que define tal profissão não é totalmente aplicável ao seu trabalho. ''Apesar de ter liberdade para criar, na maioria das vezes, o cliente me orienta na escolha de cores e formas'', explica.
Sem formação específica e autodidata por vocação, Solange se define como designer têxtil, invocando a experiência adquirida em mais de 15 anos de trabalhos prestados em Londrina e São Paulo. Já desenvolveu estampas para Eugênia Fleury e integrou o staff de Monica Negreiros, coordenando uma equipe de seis pessoas. O desafio era conciliar um trabalho totalmente artesanal com um grande volume de produção. ''Me deu uma noção industrial muito boa'', conta. Dessa época, ela guarda com carinho a lembrança de Hebe Camargo vestindo uma roupa de seda pintada por ela. ''Fiquei muito emocionada'', lembra.
Atualmente, as estampas criadas por Solange podem ser vistas nas araras das lojas Esperanza e Helen Moreira, em Londrina. E, em breve, nas sacolas da Le Lis Blanc por todo o País. A grife paulistana se interessou pelo trabalho da londrinense graças à uma iniciativa despretensiosa. ''Fiz um mostruário e mandei para a minha irmã, que mora em São Paulo e produz acessórios para a marca'', relata. Por coincidência, sorte, ou como ela prefere acreditar uma ajuda divina os desenhos e as cores casaram-se perfeitamente com a próxima coleção de verão da marca. ''Não tive que retocar nada. Eles compraram duas estampas'', conta.
Embora constante, o trabalho no ateliê montado na sua própria casa não lhe tira um dos maiores prazeres: a companhia dos três filhos de um, quatro e oito anos. Solange acredita que a área de design têxtil está crescendo na região, ainda que não seja viável para algumas confecções. ''O corte é especial, tem que esperar a pintura secar. É um tempo nem sempre compatível com o ritmo das grandes produções'', observa.
As negociações com a Le Lis Blanc continuam e, talvez, as criações de Solange se estendam para as roupas. Por enquanto, ela comemora o feito trabalhando e traçando planos com a tranquilidade típica de quem faz da profissão uma terapia. ''Minha meta, talvez, seja chegar à Daslu. Seria um reconhecimento do meu trabalho. Se vier, será bem-vindo. Se não vier, tudo bem. Já me considero uma pessoa realizada''.


