João Rodrigo Santos Milanez, 29 anos, era um daqueles meninos que poderia ter tido o destino traçado desde o nascimento. Filho do jornalista e empresário João Milanez, fundador da FOLHA, era de se esperar que ele se envolvesse nos negócios do pai e seguisse a carreira jornalística.
Contrariando todas as possibilidades, Rodrigo buscou seu próprio caminho profissional, trabalhou muito e hoje colhe os frutos de seu esforço longe das asas do pai famoso. ''Meu pai sempre me ensinou a não depender dele, a não seguir a sua profissão, a buscar algo que eu gostasse de fazer, independentemente de ele ser dono de jornal. Desde criança, eu ouvi isso e sempre tive outras idéias. Nunca pensei em ser jornalista ou em assumir um cargo na FOLHA'', garante ele.
Não que o jovem Rodrigo não tenha tido suas passagens pela empresa do pai. ''Quando eu ainda estava no colégio trabalhei um tempo na FOLHA, como digitador, e depois no departamento de imagem. Mas isso não aconteceu só por causa do meu pai. É claro que ele me ajudou muito, mas eu trabalhei como qualquer funcionário. Ele teve uma vida difícil e batalhou muito para construir tudo o que ele construiu. Meu pai sempre me ensinou a trabalhar muito, não pisar em ninguém para conseguir as coisas e ir atrás daquilo que eu quero. Essa é a maior herança que ele me deixa. Na minha casa nunca teve ostentação. A vida sempre foi muito boa, mas também muito simples'', lembra Rodrigo.
E as lições do pai foram bem assimiladas pelo filho único. Apesar da pouca idade, Rodrigo, que se formou em marketing em 2002, já é sócio de uma produtora, a Usina de Idéias, que cresceu muito nos seus seis anos de existência. Além de vídeos institucionais, a empresa é responsável pela produção do programa Gravidade Zero (exibido aos sábados, às 11h30, na TV Tarobá, e às 22h30, na Multi TV, também aos sábados).
''Desde a época da faculdade que eu já gostava com essa área da comunicação. A Usina de Idéias começou pequena, na sala da casa dos meus sócios. Mais uma vez não quis pedir ajuda ao meu pai para começar grande. Tivemos que trabalhar muito e várias vezes ficamos sem dinheiro e sem equipamentos. Por dois anos, toda sexta-feira, a gente ficava até de madrugada editando o Gravidade Zero'', diz.
A realidade de hoje já é bem diferente daquele início cheio de dificuldades. Atualmente a empresa já conta com quatro ilhas de edição, equipamento completo para filmagens e está construindo seu próprio estúdio de gravação. ''Era um sonho nosso ter esse espaço. Até então a gente ficava dependendo de estúdio alugado e isso é sempre complicado. Com local próprio de gravação podemos obter um resultado ainda melhor nas produções'', afirma.
E qualidade dos resultados continua sendo o objetivo constante de tudo o que Rodrigo faz. Contando com a colaboração de 20 funcionários, o empresário garante que ainda quer muito mais da profissão. ''Meu objetivo é continuar melhorando a qualidade dos nossos vídeos. Já fizemos trabalhos para Curitiba e quero ampliar cada vez mais o campo de atuação, fazendo produções mais elaboradas, crescendo e encarando novos desafios. Agora estamos abrindo cursos de fotografia e vídeo em parceria com uma escola de Curitiba'', comenta.
Tanta garra e determinação, segundo Rodrigo, além da carga genética, é também resultado dos anos de envolvimento com as artes marciais. Quando criança, ele praticou karatê, judô e muay-thai, e hoje é atleta de jiu-jitsu e kickboxing. ''Aprendi no esporte a sempre encarar os desafios e ir para cima dos adversários. Quando surge um problema no trabalho, procuro pensar como agiria se fosse no esporte. A autoconfiança, a capacidade de analisar o adversário e a disciplina que a gente adquire com o esporte acho que também me ajudam nos negócios, que não deixam de ser uma luta constante'', filosofa.
Nas poucas horas de folga, os esportes radicais estão sempre presentes na vida de Rodrigo. ''Com o programa (Gravidade Zero) já experimentei modalidades muito bacanas, como rafting, pára-quedismo, mergulho, unindo prazer e trabalho e isso é ótimo. Quando não estou trabalhando, faço aulas de italiano, gosto de praticar outras atividades esportivas, de ficar com minha namorada. E, agora, também estou me interessando por fotografia'', revela.
Parece que fôlego é o que não falta para esse lutador dos ringues e das câmeras.

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