Ainda criança, a paulistana Ana Clara Fischer tinha a resposta na ponta da língua quando questionada sobre o que queria ser quando crescesse: atriz. Filha do médico e compositor Iso Fischer, ela cresceu escutando música erudita e brasileira. O pai, aliás, propunha um jogo para a família: aprender a cada semana a história de compositores clássicos da música nacional. Tanta informação facilitou a transição de Ana para a música. Hoje, atriz e cantora, ela costuma dizer que a música auxilia o trabalho como atriz e vice-versa, mas o fato é que ela adquiriu a facilidade de transitar no palco com desenvoltura.
Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e no curso técnico em teatro pela mesma universidade, ela conta que começou a cantar por acaso. ''Por muito tempo me senti pressionada. Muita gente dizia que eu tinha que escolher uma das profissões. Hoje vejo que posso conciliar tudo'', conta. Nascida em São Paulo, ela e a família desembarcaram em Curitiba em meados da década de 80, por conta do trabalho do pai. Aos 11 anos, ela fez o primeiro curso de teatro e depois não parou mais.
Já na faculdade, enquanto cursava simultaneamente teatro e jornalismo, arriscou alguns trabalhos em rádio e televisão, mas logo percebeu que o teatro era mesmo sua vocação. Participou de montagens como A Cantora Careca e O vale das Percepções, ambas envolvendo a música, de alguma forma. Um dia, foi chamada pelo pai para acompanhá-lo numa apresentação, em um circuito promovido pelo Sesc. Ela já tinha tido outras experiências com o canto, como a participação do grupo Nós em Voz e no Poca Boca. A intimidade com a música fez com que Ana se envolvesse cada vez mais em trabalhos que uniam a música e o teatro.
Em 2005, ela participou do Fringe, mostra paralela do Festival de Teatro, com o espetáculo Falsa Suicida, em parceira com Marcelo Munhoz. Uma nova montagem do espetáculo, aliás, faz parte dos seus planos para 2010. Atualmente, Ana integra o elenco do espetáculo Manson Superstar, a mais recente produção da premiada companhia Vigor Mortis. A montagem que mistura musical, documentário e show de rock conta a história de Charles Manson, que no final dos anos 60, ordenou que um grupo de jovens que o idolatrava matasse a atriz Sharon Tate, mulher do diretor Roman Polanski.
''Foi uma surpresa quando o Paulo (Biscaia) me ligou para fazer parte do elenco'', conta. Biscaia figura entre os diretores mais talentosos do Estado. Polêmicos, seus espetáculos podem até não agradar a maioria, mas devem ser objeto de estudo pela coerência e pesquisa apurada. A montagem mais recente da companhia volta em cartaz durante o Festival de Teatro, em março.
Até lá, Ana Clara ainda concilia as outras atividades com os ensaios e projetos futuros. Nas ''horas vagas'' ainda dá aula de inglês. Quando questionada se é difícil conciliar o trabalho artístico com a ''vida real'' e contas a pagar, ela é categórica: ''É difícil, sim, mas não gosto de ficar na mágoa. É uma escolha'', enfatiza.
Pronta para retomar a temporada do show ''Noite cheia de estrelas'', apresentado em 2007 e 2008, cujo repertório é formado por modinhas e samba canção, ela também aguarda o lançamento de um média e um curta metragem que participou como atriz no ano passado. Agora, pretende esperar o futuro, fazendo. ''Com o passar do tempo, compreendi que não tem como planejar muito para frente do que já está acontecendo'', conclui.

mockup