O livro ''Anjos das Trevas - O Início'' mal foi lançado, em meados de março, e já ganhou uma boa repercussão em sites, revistas e programas de tevê. Tudo porque sua autora, a curitibana Fernanda Vernon, surpreende pela pouca idade: tem apenas 17 anos, recém completados. O apelo temático também ajuda. Ao tratar do mundo dos vampiros com uma linguagem juvenil, a história acerta em cheio o público da saga ''Crepúsculo''.
Mas Fernanda, curiosamente, não é muito chegada no sucesso literário da americana Stephanie Meyer. Ela está mais para Anne Rice, criadora, entre outras obras, de ''Entrevista com o Vampiro''. ''Acho 'Crepúsculo' muito meloso, infantil'', diz a jovem escritora, que não leu todos os livros da série e só assistiu à primeira adaptação para o cinema.
Essa opinião pode soar como um certo desprezo, para evitar comparações. Quem leu ''Anjos das Trevas - O Início'', no entanto, garante que a curitibana não narrou um romance água com açúcar. Pelo contrário. As resenhas publicadas até aqui sempre destacam as doses, ainda que sutis, de sangue, sensualidade e humor contidas na trama.
A protagonista é Brett, uma garota que se descobre descendente de vampiros e vai mudar os rumos de uma guerra entre dois clãs de criaturas imortais. Ou seja: diferentemente de ''Crepúsculo'', a história não traz lobisomens e limita a participação de humanos. ''Outra diferença é que meus personagens gostam de ser vampiros. Se eu fosse uma vampira também gostaria'', afirma.
Seja como for, o fato é que a autora tinha outro livro pronto para ser publicado (''O Beijo Anônimo'', sobre a filha de uma grande atriz da Broadway que busca reconstituir a trajetória da mãe). Mas o potencial comercial dos vampiros acabou falando mais alto. Tanto que a Editora Íthala, responsável pela publicação, já prepara a impressão do segundo volume da série, ''Anjos das Trevas - O Resgate''.
Extremamente tímida
Além de ''O Beijo Anônimo'', Fernanda tem outros oito livros inéditos armazenados no computador - produção que iniciou quando ainda tinha 12 anos. Filha de um médico e de uma professora, ela atribui à avó, Olga, o interesse pela literatura. Um fascínio que está acima de qualquer outro programa. ''Muitas vezes, quando viajamos para a praia, temos que voltar antes, porque a Fernanda sente falta do computador'', diz Ceres, mãe da escritora. Foi dela a ideia de lançar a filha no mercado editorial, praticamente sem a garota saber.
Extremamente tímida, Fernanda tinha receio de que o trabalho fosse rejeitado pelo público. Só mostrava seus textos para a mãe e uma ou outra amiga. Até que Ceres, por meio de conhecidos, entrou em contato com a editora e conseguiu viabilizar o projeto. ''Achei que seria uma forma de aumentar a autoestima dela'', conta a professora, que ficou um tanto surpresa com o tom, digamos, sensual, de algumas passagens de ''Anjos das Trevas - O Início''. ''Ela nem tem namorado. Como sabe de tudo isso?'', brinca.
A timidez, no entanto, continua. O lançamento do livro, por exemplo, não foi prestigiado por muitos amigos - simplesmente porque eles não foram convidados, como revela sua editora, Eliane Peçanha. E mesmo o sobrenome Vernon é um pseudônimo inventado para o caso de sua carreira literária ser um fracasso. ''Mas não deu certo porque agora todo mundo da escola já sabe'', afirma a escritora.
Aluna do segundo ano do Ensino Médio, Fernanda Tramujas Chaves (este é o seu nome completo) admite que não vai muito bem nas disciplinas da área de exatas. Não à toa, já decidiu prestar o vestibular para Publicidade no fim de 2011. Enquanto isso, segue escrevendo o próximo livro sobre a jornada de Brett, o terceiro de uma série cinco. Uma saga que, certamente, vai evoluir junto com sua autora.

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