Fé e fama
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Elaine Souza <br> Reportagem Local 
Pelo histórico familiar, não é força de expressão dizer que André Valadão nasceu cantando. Quarta geração de uma família de evangélicos e filho de pastores, quando pequeno acompanhava sua mãe que cantava na igreja. Tempos depois passou a fazer o mesmo, aprendeu tocar piano e escrever músicas.
Anos mais tarde, seguiu para uma temporada de dois anos nos Estados Unidos, onde estudou em conceituados seminários teológicos americanos, como o Kenneth Hagin. ''A música faz parte da minha família, da minha vida desde a infância. A música gospel faz parte da minha vida desde o ventre materno'', conta ele.
No mundo da música gospel, todos conhecem e reconhecem o talento de André Valadão. Dono de uma carreira notável, seu sucesso pode ser explicado em números. Seus 10 discos venderam 2,5 milhões de cópias e seus DVDs mais de 230 mil. Seu mais recente trabalho, lançado em dezembro e intitulado ''Aliança'', vendeu 50 mil cópias e, no fim de janeiro, chegou à marca de 80 mil.
Com trabalhos mixados em Nova York por técnicos que trabalham com estrelas como Beyoncé e Britney Spears, Valadão faz 120 shows por ano, já cantou para mais de 2 milhões de pessoas, em São Paulo, mas tem média de público de 10 a 15 mil pessoas, e já foi indicado duas vezes ao Prêmio Grammy Latino.
Dono de um estilo jovial, alegre e irreverente, estima-se que André tenha passado por mais de 700 cidades brasileiras, além de levar sua voz para países como Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Portugal e Espanha. Foi dele também o primeiro show gospel que a ''Festa de Peão de Barretos'' recebeu.
''O sucesso é consequência de um esforço muito grande, de uma vida de trabalho intenso e persistente. Nada acontece sem que Deus permita ou abra as portas. Acredito muito na força do trabalho e da perseverança naquilo que Deus plantou como sonho no seu coração. Eu escolhi curtir o sucesso, não sou 'religioso' ou até mesmo hipócrita ao ponto de rejeitar o reconhecimento e o carinho das pessoas em relação ao que faço. A nossa geração é carente de referências e se de alguma forma eu puder ser referência para alguns, isso me alegra, chamem isso de sucesso ou não'', diz.
No Brasil, a música gospel vem na contramão da indústria fonográfica, que desde 1990 amarga uma crise sem precedentes. Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), o gospel ocupa a segunda posição musical mais consumida, atrás apenas do inabalável sertanejo.
Mesmo integrando um mercado sem agruras e sendo nome de peso no time de celebridades desse segmento, André Valadão é enfático ao responder se ainda hoje a música gospel sofre preconceito.
''A música gospel sofre preconceito demais. Levo o mesmo público ou até mais para feiras de exposições e prefeituras e ganho normalmente 10 vezes menos que um cantor secular. O preconceito é absurdo, sou visto por muitos como um intruso quando canto em aniversário de cidades ou exposições, o que é um absurdo. Se eu levasse pouca gente para um show ou se vendesse menos discos que cantores seculares, tudo bem. Mas o preconceito existe ainda hoje e é um absurdo!''.
Casado com a londrinense Cassiane Montosa Valadão, André, que segue para uma década de carreira e teve em apenas um clipe no Youtube mais de três milhões de acessos, escolheu Londrina como o centro de administração de sua carreira.
''Tenho um escritório extremamente competente, com toda base em Londrina. Todos os fechamentos de eventos, a parte financeira e jurídica. Não basta cantar bem ou falar bem, a sua assessoria te ajuda a chegar onde talvez apenas com sua música ou sua palavra você não conseguisse. O reconhecimento vem do fruto de uma equipe superamiga e fiel'', destaca ele, que finaliza os últimos detalhes do seu DVD.


